Publicado em 14/08/2026 às 13h00.

Baiano que viralizou com Anitta mira cinema e TV após turnê ‘EQUILIBRIVM’

Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, Tárcis Rocha fala sobre arte, ancestralidade e novos passos

Marcos Flávio Nascimento
Foto: Reprodução / @rafaelstrabelli

 

A estreia da turnê EQUILIBRIVM, de Anitta, colocou o baiano Tárcis Rocha no radar de um público muito maior. Ator, modelo, capoeirista, percussionista e performer, ele ganhou destaque nas redes sociais principalmente após a repercussão da performance de “Divino Sexual”, apresentada ao lado da cantora nos palcos.

Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, Tárcis falou sobre a repercussão da cena, a construção de sua participação na turnê e o impacto de integrar uma produção dessa dimensão. Apesar de ter viralizado como dançarino, ele faz questão de pontuar que sua formação artística atravessa diferentes linguagens.

“Muita gente já sabe que sou ator, modelo, capoeirista e que tenho outras habilidades, mas eu ainda não tenho formação como bailarino ou dançarino”, explicou.

Segundo Tárcis, foi justamente o repertório construído ao longo de 13 anos de vivência artística que abriu as portas para o projeto. Seu trabalho como ator chamou atenção da equipe da turnê, e ele foi convidado a contribuir com a construção das performances a partir dessa bagagem corporal e cênica.

Performance com Anitta vai além da provocação

A cena de “Divino Sexual” rapidamente virou assunto nas redes e dividiu opiniões. Para Tárcis, a reação faz parte da proposta do próprio espetáculo, que trabalha com temas como sexualidade, liberdade de expressão e religiosidade.

“Quando o assunto é sexo de forma aberta, muita gente ainda reage pelo filtro do tabu antes mesmo de olhar para a arte”, afirmou.

Foto: Reprodução / Instagram

Ele defende que a performance não deve ser reduzida a uma coreografia provocativa. “O que a gente leva para o palco é sobre corpo, alma, entrega e liberdade. Isso é arte.”

Na avaliação do artista, o desconforto também pode ser parte da experiência estética. “Se uma obra provoca uma reação, positiva ou negativa, significa que ela conseguiu atravessar alguém de alguma maneira”, disse.

Tárcis contou que, desde os ensaios, já imaginava que algumas cenas poderiam gerar forte repercussão. Para ele, o fato de o público discutir as performances mostra que o espetáculo conseguiu provocar conversas para além do palco.

‘Uma seleção brasileira da dança’

Integrar a turnê de Anitta também trouxe uma rotina intensa. Tárcis precisou conciliar os ensaios no Rio de Janeiro com apresentações de “Rasga Coração”, no Teatro Oficina, em São Paulo, fazendo constantemente a ponte entre as duas cidades.

O processo, segundo ele, foi muito diferente do que costuma encontrar no teatro. Pela velocidade da produção, várias decisões precisaram ser tomadas diretamente nos ensaios, sem longos períodos de construção prévia.

“Isso me tirou da minha zona de conforto e me ensinou a trabalhar de uma maneira diferente”, afirmou.

Ao falar sobre o elenco da turnê, Tárcis não economizou elogios. “Se fosse no futebol, consideraria o balé dessa turnê uma espécie de seleção brasileira da dança. A galera é extremamente boa.”

Para ele, a força do projeto está justamente na soma de artistas com repertórios, formações e estilos diferentes.

“Quando tudo isso se encontra, o resultado ganha uma riqueza enorme”, avaliou.

Ancestralidade atravessa o trabalho

Baiano, Tárcis também carrega para os palcos referências da cultura afro-brasileira, da capoeira e da percussão. Ele conta que esses elementos aparecem de maneira natural em praticamente tudo o que faz.

“Tudo o que faço carrega as minhas raízes. Em todos os trabalhos, tento apresentar a minha essência, mesmo quando isso não acontece de maneira explícita”, afirmou.

O berimbau, por exemplo, está presente tanto na turnê quanto em trabalhos realizados no Teatro Oficina. As referências também já apareceram em outros momentos da trajetória do artista.

Foto: Reprodução / Instagram @otarcisrocha

No concurso Mister Brasil, Tárcis conquistou o título de Mister Brasil Talento com uma apresentação que reuniu capoeira, dança dos orixás, samba e percussão.

“Eu carrego referências ancestrais para a minha arte de uma maneira que, às vezes, nem sei explicar. E talvez nem precise explicar. Acho que preciso apenas ter consciência da responsabilidade e da felicidade de poder ser, de alguma forma, um porta-voz da minha ancestralidade”, disse.

Viralização abre novas portas

A repercussão da turnê também ampliou o alcance de Tárcis nas redes sociais. Ele já mantinha um público ativo antes de EQUILIBRIVM, mas reconhece que a exposição ao lado de Anitta o apresentou a novas pessoas dentro e fora do Brasil.

“A turnê fez com que eu fosse visto por muitas outras pessoas no Brasil e no mundo”, contou.

Para ele, o momento é uma oportunidade para mostrar que existe uma trajetória muito maior do que a performance que viralizou.

Tárcis também chama atenção para um ponto que costuma passar despercebido em grandes espetáculos: a quantidade de profissionais envolvidos na construção de uma produção.

“Um espetáculo é construído por muitas pessoas e muitas linguagens. Não existe uma grande produção sem o trabalho conjunto de artistas e profissionais que, muitas vezes, não aparecem individualmente para o público”, afirmou.

Próximo passo passa por cinema, TV e musicais

Depois da visibilidade conquistada na turnê, Tárcis não fala em sonhos, mas em objetivos. “Meu objetivo agora é abrir outras portas no cinema, na televisão e nos musicais”, afirmou.

O artista cita nomes como IZA, Urias, Luedji Luna, Marina Sena, BaianaSystem, Ivete Sangalo, Larissa Luz, Majur e Liniker entre profissionais cujos processos artísticos gostaria de acompanhar ou com quem teria interesse em colaborar.

Na atuação, ele também mira trabalhos ao lado de nomes como Lázaro Ramos, Miguel Falabella, Bando de Teatro Olodum, Grace Passô, Jeferson De, Joel Zito Araújo, Onisajé, Yasmin Thayná e Márcio Meirelles.

Tárcis deixa claro, porém, que não enxerga a turnê como ponto de partida. “Cheguei a São Paulo há pouco tempo, mas venho de 13 anos de vivência intensa com a arte, entre a Bahia e experiências fora do país. Então, vejo esse momento como uma continuidade da minha trajetória, e não como um começo.”

E encerra com confiança sobre o que vem pela frente: “Acredito que esse próximo passo esteja bem próximo. E estou preparado para ele.”

Marcos Flávio Nascimento
Jornalista com experiência em cidades, política, entretenimento e comunicação digital. Atuou no iG, além de passagem pela Approach Comunicação, com foco em conteúdo de negócios, tecnologia e investimentos. Foi coordenador de comunicação na SECIS/Prefeitura de Salvador e assessor parlamentar, liderando equipes e estratégias de conteúdo. Atualmente, é repórter no portal Bahia.ba.

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