Publicado em 18/08/2026 às 17h15.

Alienação eleitoral pode impactar disputa entre Jerônimo e ACM Neto

Alienação eleitoral pode se tornar uma das variáveis decisivas da eleição

André Souza

A alienação eleitoral, soma de abstenções, votos brancos e nulos, pode ganhar peso na disputa pelo Governo da Bahia em 2026. Em um cenário de empate técnico entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), a participação efetiva dos eleitores pode ser tão relevante quanto a oscilação das intenções de voto.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 29 de julho mostrou ACM Neto com 39% das intenções de voto e Jerônimo com 38%. A diferença de um ponto percentual coloca no centro da disputa não apenas os eleitores indecisos, mas também aqueles que podem deixar de comparecer às urnas ou votar em branco ou nulo.

Jerônimo é mais forte entre eleitores mais velhos

A divisão por faixa etária ajuda a dimensionar o impacto potencial da participação eleitoral. Jerônimo apresenta seus melhores índices justamente entre os eleitores mais velhos.

Na faixa de 60 anos ou mais, o governador registra 45% das intenções de voto, contra 38% de ACM Neto. Entre os eleitores de 35 a 59 anos, Jerônimo também aparece à frente, com 42%, ante 37% do ex-prefeito.

Já entre os eleitores de 16 a 34 anos, o cenário se inverte. ACM Neto alcança 44%, enquanto Jerônimo aparece com 29%, uma vantagem de 15 pontos percentuais para o candidato da oposição.

A diferença geracional faz com que a mobilização dos eleitores seja uma variável relevante para os dois lados. Para Jerônimo, a participação dos segmentos mais velhos pode ter peso especial diante de sua vantagem nessas faixas. Para ACM Neto, o desafio é converter a liderança entre os jovens em comparecimento às urnas.

Mais de um quarto do eleitorado ficou fora da disputa em 2022

O histórico recente mostra a dimensão que a alienação eleitoral pode alcançar na Bahia.

No segundo turno da eleição para governador em 2022, 20,39% do eleitorado apto não compareceu às urnas. Os votos brancos representaram 1,26% e os nulos, 4,06%.

Somados, abstenções, brancos e nulos chegaram a 25,71% do eleitorado. Na prática, mais de um em cada quatro eleitores não registrou um voto válido em um dos candidatos ao governo estadual.

Esse contingente pode assumir importância ainda maior em uma eleição na qual os dois principais candidatos aparecem separados por apenas um ponto percentual.

Quaest aponta 21% entre indecisos e sem voto válido

O levantamento de julho também mostra um volume relevante de eleitores que não estão diretamente posicionados entre os dois principais candidatos.

Segundo a Quaest, 8% dos entrevistados afirmaram que pretendiam votar em branco ou nulo ou que não pretendiam comparecer às urnas. Outros 13% disseram estar indecisos.

A pesquisa também apontou que 44% dos entrevistados ainda poderiam mudar de voto até a eleição, enquanto 54% consideravam sua decisão definitiva.

Em uma eventual disputa de segundo turno, 7% disseram que votariam em branco, nulo ou não compareceriam, enquanto 11% permaneceram indecisos.

Abstenção pode alterar peso das pesquisas

A pesquisa eleitoral retrata a intenção de voto entre os entrevistados, mas o resultado da eleição depende de quem efetivamente comparecerá às urnas.

Se a abstenção ocorrer de maneira semelhante entre todos os grupos, o impacto tende a ser proporcional. O efeito pode ser diferente, porém, se determinados segmentos apresentarem maior disposição de não votar.

É nesse ponto que o perfil etário dos candidatos ganha relevância. Jerônimo concentra sua maior vantagem entre eleitores de 60 anos ou mais, enquanto ACM Neto tem seu melhor desempenho entre os mais jovens.

Alienação eleitoral varia na Bahia

A participação dos eleitores nas eleições para governador sofreu oscilações nas últimas décadas.

Considerando a soma de abstenções, votos brancos e nulos em relação ao eleitorado apto, a alienação eleitoral ficou em aproximadamente 37,6% em 2002. Em 2006, recuou para 32,7% e, em 2018, ficou em torno de 35,4%.

Em 2022, houve nova queda: o índice foi de aproximadamente 26,7% no primeiro turno e 25,4% no segundo.

A variação indica que o comportamento do eleitorado pode mudar de acordo com o nível de competitividade da eleição, o contexto político e a capacidade de mobilização das campanhas.

 

André Souza
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música, atualmente trabalha como repórter de Política no portal bahia.ba.

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