Quem ajuda (ou prejudica) mais: Temer a Neto ou Dilma a Alice?

    Seria ingênuo achar que isso influenciaria o eleitorado; A literatura demonstra que questões federais influenciam pelejas municipais em grandes cidades

    Frase da vez

    “Eles gastam mais dinheiro com propaganda do que comprando comida para quem precisa?”

    Renato Russo, cantor e compositor brasileiro (1960-1996)

     

    (Foto: Rodolfo Stuckert/Câmara dos Deputados | Divulgação/Alice Portugal | Montagem: Bahia.ba).
    (Foto: Rodolfo Stuckert/Câmara dos Deputados | Divulgação/Alice Portugal | Montagem: Bahia.ba).

     

    ACM Neto, que nunca teve referências federais no poder, vislumbra, pela primeira vez, encontrar algum apoio, com Michel Temer, via Geddel.

    E já botou um pezinho lá na campanha, ao assinar o contrato com a Caixa para financiar a obra que Dilma prometeu e não fez, como se estivesse a dizer: agora vai.

    Alice é o contrário. Sempre foi governo na era do PT no poder.

    Óbvio que se Dilma hoje não representa esperança para o futuro, como é o caso de Temer para Neto, é simbólica pelo lado positivo do legado petista, como os programas sociais ancorados no Bolsa Família e a expansão das universidades federais – mais cinco, para quem só tinha uma -, além dos institutos federais de ciência e tecnologia – de dois para 32.

    Seria ingênuo achar que isso influenciaria o eleitorado. A literatura demonstra que questões federais influenciam pelejas municipais em grandes cidades.

    O próprio Neto é um exemplo: venceu em 2012 contra Jaques Wagner, governador bem avaliado, e Dilma também.

    Se Neto já está acostumado e se virar sozinho, como fez na campanha e tem feito na Prefeitura de Salvador, qualquer ajuda é bem-vinda, embora não seja decisiva.

    E Alice, que mão tem a grife de Neto e nunca teve uma experiência executiva, toda ajuda externa é sagrada.

    Ela ancora-se nas pesquisas que apontam a maioria do povo baiano contra o impeachment e a favor de Lula.

    O juiz do caso será o povo, na próxima semana.

    Pirotecnia malvada

    Dizem os petistas que a PF (e agora também o MPF) gosta de espetacularizar as ações contra os seus aliados enroscados na Lava Jato. E às vezes parece.

    Precisava prender o ex-ministro Guido Mantega na UTI de um hospital acompanhando a cirurgia da esposa?

    Não há precedente na história do Brasil de tratamento similar.

    Os delegados se explicaram. Disseram não ter conhecimento de que, ontem, naquela hora, ele estaria em tais circunstâncias. Mas o fato é que o fizeram.

    E com isso depreciam as suas próprias investigações. Simplesmente agrediram, não ao ex-ministro e aos petistas, mas a própria dignidade humana.

    Fora de foco

    Ora, acusar um ex-ministro da Fazenda de estar diretamente ligado a um esquemão de corrupção já não é pouca coisa. Prendê-lo, muito menos. E o ato da prisão, tornando-se mais midiático do que as supostas falcatruas por ele cometidas, acaba se tornando um desserviço. Tira o foco. O acusado vira vítima, no caso, pelo que há de dramático.

    O próprio juiz Sérgio Moro recuou e suspendeu a prisão. Alegou que Mantega já não representava perigo de conturbar as investigações. E antes da prisão, tinha?

    Caso Márcio

    Pior do que isso, só invadir a casa errada e matar o morador que nada tinha a ver com o caso. Absurdo dos absurdos, mas aconteceu em meados de junho do ano passado, na Operação Carga Pesada, quando agentes da PF invadiram o apartamento de Márcio Neri dos Santos, de 35 anos, em Pau da Lima, e o mataram, quando na real procuravam um vizinho.

    O pior: como Márcio não era do PT e nem partido algum, o caso está esquecido.

    Munição

    O PT, no caso, se reabasteceu de munição e surfou na onda.

    Fazendo coro com outros petistas, Jaques Wagner disse ser a prisão fora de padrão e a qualificou como ‘crueldade nazista’.

    ‘Golpe’ como trunfo

    Na avaliação do secretário Josias Gomes, (Relações Institucionais), o desempenho do governo nas eleições deste ano será para além do satisfatório, uma vitória.

    Um dos trunfos é a avaliação positiva de Rui Costa. Outro, é o fato da grande maioria dos baianos, segundo as pesquisas, ter repudiado o impeachment de Dilma.

    Daí porque Dilma veio ontem tentar dar um empurrão em Alice e porque a tese do ‘golpista’ tem sido tão repicada:

    — Não iríamos perder uma deixa dessa.

    Elinaldo vai à feira

    Preso em dezembro último, acusado de lavagem de dinheiro e crime organizado (jogo do bicho), o vereador Antônio Elinaldo (DEM), candidato a prefeito de Camaçari e líder nas pesquisas, finalmente vai à feira neste sábado.

    Ele estava proibido de pisar lá, palco dos supostos crimes, onde trabalhava (no bicho).

    Barrados na Copa

    A decisão da Federação Bahiana de Futebol de só aceitar nos clubes baianos dez jogadores com idade acima de 23 anos, na Copa Governador do Estado, está causando furdunço nos clubes do interior.

    O Flu de Feira, por exemplo, teve que dispensar dez dos 20 jogadores do elenco para obedecer a exigência.

    Dizem lá que, além de prejudicar o clube, que já tinha uma equipe habituada a jogar junto, ainda produziu outra casta, a dos maiores de 23 abandonados.

    Coqueiros e amendoeiras

    Sobre a nota Coqueiros e amendoeiras, anteontem publicada, dizendo que os coqueiros da orla de Salvador estão sendo substituídos por amendoeiras, a Secretaria Cidade Sustentável (Secis), da Prefeitura de Salvador, diz que no trecho entre Jardim de Alah e o antigo Aeroclube os coqueiros dão sinais de desidratação devido à alta salinidade e os ventos fortes.

    Afirma também que eles estão sendo substituídos pelo abricó-da-praia (Mimusops coriácea), que, por ser mais resistente à peculiaridade climática desse trecho da orla, adapta-se melhor e não possui raízes que possam causar danos.