PF errou ao identificar sigla JD em planilha como José Dirceu

    Os investigadores chegaram a essa conclusão após analisar anotações apreendidas de Marcelo Odebrecht

    O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil/Fotos Públicas)
    Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

    Investigadores da Polícia Federal (PF) reconheceram que erraram ao identificar a sigla “JD” como uma referência ao ex-ministro José Dirceu, em um relatório da Operação Lava Jato, em fevereiro deste ano. A nova interpretação indica repasses de propina supostamente ordenados por Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e preso na última fase da Lava Jato, nesta segunda (26).

    Alguns dos valores são precedidos da rubrica “via JD” – o que, na avaliação dos investigadores, indicaria repasses feitos a José Dirceu. A investigação, porém, demonstrou que “JD” era uma referência a Juscelino Dourado, ex-chefe de gabinete de Palocci, também preso temporariamente nesta segunda. Os investigadores chegaram a essa conclusão após analisar anotações apreendidas de Marcelo Odebrecht, presidente da construtora Odebrecht.

    O advogado de José Dirceu, Roberto Podval, declarou, na época, que a acusação “não tinha cabimento”, já que os repasses não apareciam na contabilidade da consultoria de Dirceu (que se chama JD Assessoria e Consultoria). Agora, ele elogia o reconhecimento do erro, mas enfatiza que é “preocupante”. O defensor avalia ainda que a rapidez da Operação Lava Jato pode acabar contribuindo para equívocos como este.

    A Polícia Federal afirma que, tão logo soube do erro, informou à defesa de Dirceu, ao Ministério Público Federal e ao juiz Sérgio Moro sobre o fato.

    Com informações da Folha de S. Paulo.