Em Salvador e Feira, só uma dúvida para a urna tirar: o Ibope mentiu?

    Ao que parece, essa é a única dúvida que restou para as urnas a ser esclarecida

    Frase da vez

    “A eleição é um processo democrático de escolher o melhor, o sofrível e o pior, sem distinção”

    Carlos Drummond de Andrade, poeta mineiro (1902-1987)

    (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ ABr).
    (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ ABr).

     

    Salvador e Feira de Santana, as maiores cidades da Bahia, se assemelharam muito mais na disputa de 2016 do que supõe a vã filosofia. Veja:

    1 — Ambos os prefeitos, ACM Neto e Zé Ronaldo, são bem avaliados e os dois do DEM, opositores do governo.

    2 — Nos dois, os principais candidatos governistas, Alice Portugal e Zé Neto, são tidos como pouco competitivos.

    3 — Também nos dois, só houve de pesquisas as do Ibope, já que todas elas apontavam larga vantagem para o prefeito e as ‘internas’ dos opositores davam resultados diferentes, mas também desvantajosas, o que tirou a disposição de divulgá-las (seria pagar para apanhar).

    4 — E tanto ACM Neto, em Salvador, como Zé Ronaldo, em Feira, fugiram de quase todos os debates, só foram aos últimos, promovidos respectivamente pela TV Bahia, em Salvador, e TV Subaé, em Feira.

    Nos dois casos, os opositores dos prefeitos se disseram vítimas de manipulações do Ibope. Ao que parece, essa é a única dúvida que restou para as urnas a ser esclarecida.

    Mas mesmo assim, ninguém duvida em Salvador e em Feira que Neto e Ronaldo vencem no primeiro turno.

    Suspeita em Camaçari

    Aliados de Luiz Caetano, candidato a prefeito do PT em Camaçari, também estão colocando sob suspeição a pesquisa do Ibope, divulgada esta semana, que dá ao vereador Antônio Elinaldo (DEM) 65% das intenções de voto contra 32 dele.

    Dizem que Elinaldo pode até estar liderando, mas a diferença apontada é um disparate.

    A lista de Ademar

    E por falar em Camaçari, se diz que o prefeito Ademar Delgado, que banca a ‘indecolável’ candidatura da ex-secretária Jailce Andrade (PCdoB), já tem pronto um listão de ocupantes de cargo de confiança que os aliados dele chama de ‘infiéis’.

    Parte dos auxiliares de Ademar ficou com Caetano e também com Elinaldo.

    A violência em Tancredo

    Com largo histórico de assassinatos de encomenda no tempo em que o ex-prefeito Aurelino Boca Rica imperava, Tancredo Neves, no baixo sul da Bahia, mantém ou não perde o tal vício do cachimbo.

    O esquema de Boca Rica foi detonado pela ação do delegado Edmilson Nunes e do promotor Marcelo Guimarães. De lá para cá, o município passou a ser como outro qualquer. Com crimes, sim. Mas comuns.

    Eis que agora, no calor da campanha, a três dias das eleições, surge um atentado sem vítimas contra o prefeito Valdemir Mota, o Balbino (PV), que enfrenta, em acirrada disputa, Antônio Mendes, o Toin do Bó (PMDB).

    Toin tem entre seus aliados, antigos seguidores de Boca Rica. E Balbino não vinha bem, nem na administração e nem nas pesquisas.

    Os partidários de Balbino creditam o fato a Toin, e os deste dizem que foi armação.

    E afinal, houve ou não o atentado? Pergunte à polícia. Mas até a resposta sair, a eleição já será passado.

    Tensão em Lagoa Real

    Tensão gerada por violência política mesmo está em Lagoa Real. O juiz José Eduardo das Neves Brito, que já tinha decretado o fim da campanha no meio da semana, pediu reforço policial.

    Um grupo que ameaçou partidários do prefeito Zezinho (PSD), que tenta a reeleição contra Pedro Cardoso (PMDB), foi preso.

    Entre os acusados, um sargento da PM.

    Mangabeira, o azarão

    A surpresa na reta final da campanha em Itabuna é o médico Antônio Mangabeira, o Dr. Mangabeira (PDT). No embate entre lideranças tradicionais, como os ex-prefeitos Fernando Gomes (DEM), o líder nas pesquisas, Geraldo Simões (PT), o Capitão Azevedo (PTB), o deputado Augusto Castro (PSDB) e o ex-deputado Davidson Magalhães (PCdoB), ele chegou dizendo apenas: “Não sou nada disso”.

    É quem mais cresce. Virou o azarão.

    Duelo em Cairu

    Cairu, o único município arquipélago do Brasil, com 16 ilhas, três delas habitadas (Tinharé, onde fica o Morro de São Paulo, Boipeba e Cairu, a sede), vive dias de intensa disputa entre o prefeito Fernando Brito (PSDB) e Cíntia Rosemberg (PMDB), esposa do deputado Hildécio Meirelles (PMDB).

    Pesquisa do Instituto Gasparetto, ontem divulgada, deu 48,95% a Cíntia, contra 44,21%.

    A disputa lá é trincada.

    Gás na disputa

    As disputas em Cairu sempre foram acirradas, agora bem mais.

    O município tinha, em 2007, uma receita mensal da ordem de R$ 800 mil, mas, quando a Petrobras começou a operar o campo de gás de Manati, a arrecadação subiu mais de 800 por cento, para quase R$ 6 milhões.

    Ou seja, o gás da Petrobras botou gás também na disputa política.

    Luto em Coité

    Rui Costa iria ontem à Conceição do Coité assinar a ordem de serviço para a restauração dos 28 km da rodovia BA-120, trecho Coité- Riachão do Jacuípe, mas suspendeu o ato.

    Chegou a notícia da morte do ex-prefeito Hamilton Rios.

    Hamilton, ou Miltinho, como era conhecido, tinha 81 anos e lutava contra um câncer no estômago. Era um dos maiores exportadores de sisal do Brasil, foi prefeito duas vezes e tornou-se um grande líder.

    Era pai do deputado Tom Araújo (DEM).

    Sem horário de verão

    E por falar em Rui, ele decidiu ontem que não vai decretar horário de verão na Bahia. Seguiu o mesmo princípio que já tinha adotado ano passado. Acha injusto com os que acordam cedo para ir trabalhar.

    Correção

    A entrevista dada por Dilma ao jornalista Bob Fernandes, ontem citada numa das frases do dia, foi a TVE Bahia e não a TVE Brasil, como foi dito.