O Coletivo Quatro, grupo de teatro que apresenta, em um galpão no Forte do Barbalho, o espetáculo “NA COXIA, O Musical”, contemplado no edital Arte em Toda Parte 2015, da Fundação Gregório de Matos, usou sua página no Facebook para anunciar que terá que interromper o evento antes do previsto por ter recebido uma notificação de despejo da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult), assinada pela gestora do Forte, Megg Chaves.
Segundo a postagem, o coletivo constatou que o local precisaria de reformas para abrigar o espetáculo e eles próprios realizaram esses melhoramentos, o que resultou num adiamento da estreia, de abril para junho. “Em maio começamos a reforma. Investimos capital próprio e fizemos novas instalações elétricas, novos encanamentos de água, colocamos pias, chuveiros, reformamos as partes mofadas e danificadas das paredes, pintamos todo o galpão, construímos o palco, boca de cena, plateia e foyer. A cada dia encontrávamos mais coisas para fazer, por isso a obra atrasou e precisamos adiar a estreia do espetáculo para a última semana de junho, a fim de cumprir o calendário de apresentações presente no Edital!”, afirmaram.
O texto informa ainda que o espetáculo já foi visto por mais de 2.000 pessoas, no local por eles batizado de Galpão Wilson Mello, mas que nenhum membro da Secult ou da Fundação Cultural compareceu às apresentações gratuitas.
No comunicado, a gestora do forte diz que o contrato de seis meses firmado com o grupo não será renovado “por exigências do Senhor Secretário que solicita que o ‘Coletivo Quatro’ não permaneça mais nas dependências do Forte”. A data firmada para entrega da sala é 25 de outubro.
Em vídeo divulgado também no Facebook, o ator Frank Menezes sai em defesa do grupo e afirma: “Em qualquer grande cidade do mundo, quando um grupo de teatro cria algo diferente, algo que o público ame, goste e frequente assiduamente, esse espaço ou esse trabalho é preservado. O Coletivo Quatro criou um trabalho maravilhoso e isso tem que ser preservado”. E ainda: “O teatro baiano é mais respeitado no mundo todo do que dentro da minha cidade”.
O cantor e compositor Paquito também gravou vídeo de apoio, que pode ser visto na página do coletivo no Facebook.
Em nota, a Secult deu a sua versão do fato. Confira a íntegra do comunicado:
“A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia esclarece que toda utilização de espaço público deve ser precedida da assinatura de um termo, seja ele de cessão, permissão, ou autorização de uso. O Forte do Barbalho foi ocupado ao longo dos anos sem o cumprimento das formalidades exigidas por lei.
A atual gestão vem promovendo diversos entendimentos com os ocupantes para evitar o descumprimento às normas do Estado, e atender de forma democrática todas as linguagens artísticas. Mas, infelizmente com o consentimento de um ex-funcionário, retirado da administração do Forte, o grupo Coletivo Quatro, obteve ‘permissão’ verbal para apresentar o espetáculo ‘Na Coxia’. E agora precisa regularizar a situação.
A Secretaria de Cultura, através da Fundação Cultural do Estado, orientou o Coletivo Quatro a protocolar um pedido de cessão de uso, solicitação esta que já se encontra em análise.
A SecultBA informa ainda que tomou conhecimento de um ofício escrito por uma servidora atribuindo ao Secretário Jorge Portugal uma ordem que jamais foi dada. O documento sequer chegou a ser submetido ao gabinete. Em virtude desta atitude, a administradora do Forte já foi remanejada para outro setor.”

