Gilberto Gil diz que processo de impeachment é “delírio político”

    O cantor espera que a sociedade brasileira se manifeste contra o impedimento de Dilma

    Rio de Janeiro - O músico e ex-ministro Gilberto Gil no debate As Aventuras Políticas do Século XXI, no encontro Emergências, no Circo Voador, na Lapa (Fernando Frazão/Agência Brasil)

    O cantor, compositor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, criticou, nesta segunda-feira (7), o processo de impeachment aberto na Câmara dos Deputados contra a presidenta Dilma Rousseff. Segundo ele, neste momento, se vê no Brasil um exemplo de uma “aventura, um delírio político tentando legitimar uma aventura jurídica com o pedido de impeachment da presidente”.

    Gil disse ainda esperar que a sociedade brasileira se manifeste contra o impedimento de Dilma. “É uma coisa que está ficando cada vez mais clara e espero que fique suficientemente clara para a sociedade brasileira, no sentido que a sociedade brasileira tenha a capacidade de se manifestar definitivamente contra essa tentativa de impedimento da presidente”.

    Ele afirmou ainda que não se sente capacitado para o exercício da política e classificou de uma contribuição passageira a experiência que teve no campo político quando ocupou os cargos de secretário de Cultura da Bahia e, depois, de ministro da Cultura, durante o governo Lula. Gil disse que essa contribuição se deu mais na gestão da questão pública, no sentido de conceber e dirigir à população políticas públicas e refletir as necessidades delas.

    Para o ex-ministro, a política se não foi sempre assim, pelo menos de um tempo para cá, passou a ser um sistema subsidiário de grandes jogos de interesses em outros campos, especialmente, da vida material, dos interesses da produção e na distribuição de bens. “A política tem se reduzido cada vez mais a esses interesses confinados em certos setores e certos âmbitos. A capacidade da política pensar em uma aventura maior que inclua a visão 360 graus da vida, de toda a sociedade, em todo o tempo, isso é uma questão cada vez mais complicada e difícil”.