Travesti interpreta Jesus transexual em monólogo

    "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu" foi escrito por uma trans cristã e já causa polêmica em sua versão brasileira

    Foto: Ligia Jardim / Divulgação.

    O monólogo “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, escrito pela inglesa Jo Clifford, 66, está em cartaz em São Paulo, em montagem da diretora Natalia Mallo, e vem despertando polêmica, mas também elogios, no meio religioso.

    Quando decidiu trazer o espetáculo ao Brasil, a diretora colocou o seguinte anúncio no Facebook: “Procura-se atriz trans”. Isso porque, segundo ela, o texto é feito “para aquilo que está no corpo de uma atriz transgênero”. Após analisar 50 respostas, escolheu a santista Renata Carvalho, 35, atriz e ativista que se classifica como travesti.

    A história de Jesus como uma transexual foi concebida pela dramaturga, que é trans e cristã, como uma forma de lidar com a própria religião quando já tinha assumido a personalidade feminina e deixado de ser John – ela mudou de sexo há dez anos.

    Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, a peça não é uma crítica à igreja, apenas um discurso sobre aceitação, inclusão. “Ela defende a tese de que não dá para excluir ninguém”, disse Mallo, em entrevista à Folha de São Paulo.

    Contudo, como ocorreu na estreia em Glasgow, na Escócia, o espetáculo provocou rebuliço. No Filo (Festival Internacional de Londrina), por exemplo, as apresentações aconteceriam numa capela ecumênica, mas tiveram de ser transferidas após protesto de religiosos.

    “O estigma é tão grande em cima de uma travesti e de um transexual que as pessoas deduzem que o projeto é tirando sarro, quando na verdade é uma peça completamente pró-cristãos”, disse Mallo à Folha.

    Como não podia deixar de ser, a polêmica ajudou a divulgação da peça e dobrou o público esperado nas apresentações paulistanas, no Sesc Pinheiros.