Chefe de polícia do Senado teria ajudado Sarney, Collor e Lobão

    A suspeita é que os policiais faziam varreduras nas casas dos políticos para, por exemplo, identificar e eliminar escutas instaladas com autorização judicial

    Foto: Pedro França/Agência Senado

    A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (21) a Operação Métis e prendeu quatro policiais legislativos suspeitos de prestar serviço de contrainteligência para ajudar senadores investigados na Lava Jato e em outras operações. Entre os detidos está o chefe da Polícia Legislativa, Pedro Ricardo Araújo de Carvalho, homem de confiança do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele e os subordinados foram pegos em ações de contrainteligência para ajudar senadores alvo de investigações da Procuradoria-Geral da República. A prisão dos quatro suspeitos é temporária, com prazo definido para terminar.

    A suspeita é que esses policiais faziam varreduras nas casas dos políticos para, por exemplo, identificar e eliminar escutas instaladas com autorização judicial. A operação se baseou no depoimento de um policial legislativo, que contou à Procuradoria Geral da República que Pedro Ricardo teria realizado medidas de contrainteligência nos gabinetes e residências dos senadores Fernando Collor de Mello (PTC-AL), Edison Lobão (PMDB-MA) e do ex-senador José Sarney.

    “Foram obtidas provas de que o grupo, liderado pelo diretor da Polícia do Senado, tinha a finalidade de criar embaraços às ações investigativas da Polícia Federal em face de senadores e ex-senadores, utilizando-se de equipamentos de inteligência”, afirmou a PF em nota sobre a operação.

    Histórico – Em julho de 2015, policiais do Senado entraram no centro de uma polêmica ao tentarem impedir o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no apartamento funcional de Collor. Na época, a Polícia Legislativa do Senado e a Advocacia-Geral do Senado disseram que a PF havia descumprido resolução da Casa ao entrar em um apartamento funcional de senador.