Feira de animais com tema de Halloween acontece em Salvador

    A Associação Brasileira Protetora dos Animais (ABPA) decidiu entrar no clima de forma diferente e fez uma feira temática

    Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

    Em dia de véspera do Hallowen, as pessoas já se preparam, nos quatro cantos do mundo, para a celebrar a ocasião. A Associação Brasileira Protetora dos Animais (ABPA), ONG soteropolitana, decidiu entrar no clima de forma diferente e realizou, na tarde deste domingo (30), uma feira temática especialmente para os pets.

    O objetivo foi incentivar a adoção de bichos de estimação, os quais, por sua vez, chamaram atenção por estarem trajados de fantasias típicas do dia 31 de outubro. O evento também contou com voluntários que, entre outros serviços, faziam maquiagens, ofereciam lanches customizados e vendiam acessórios e roupas em um brechó.

    O bahia.ba conversou com a diretora da ONG, Kátia Cilene.

    Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
    Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

     

    Bahia.ba: Como está a adoção de animais neste evento de Halloween? Algum animal já foi adotado?

    Katia Cilene: Hoje, realmente, ainda não tivemos nenhum animal adotado. A adoção é cada dia mais difícil, apesar de ter melhorado um pouco, mas o número de abandonos é muito maior do que o número de adoções. Então, para cada animal que é adotado, entram 30 que foram abandonados.

    .ba: A prefeitura tem ajudado, de alguma forma, para a problemática da adoção de animais e para a realização do evento?

    KC: Nós não somos uma ONG pública. Somos uma ONG particular, privada, não temos nada a ver com a prefeitura. Ela apenas nos cedeu uma Kombi de transporte, que usamos para transportar os animais. Nós esperamos mais. Precisamos de alguma lei para proteção animal, precisamos de um hospital para os animais, precisamos de um local para castração, não só o castramóvel, mas um local até mais fixo para as pessoas, e precisamos de uma educação, em nível de população, feita pelo governo, para que as pessoas respeitem mais, cuidem mais dos animais que estão na rua. As ONGs e os abrigos estão superlotados e as organizações são particulares. Elas vivem de doações, vivem do nosso trabalho, que deixamos nossos familiares para poder estar aqui hoje, trabalhando em prol deles. Porque se a população tivesse um respaldo, ou algum cuidado do governo, seria muito mais fácil. Os animais estariam na rua, mas bem cuidados e as adoções seriam feitas assim.

    Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
    Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

     

    .ba: Você acha que eventos temáticos como este atraem mais público e, assim, conseguem um maior índice de adoção de animais?

    KC: Os eventos temáticos são bem interessantes. O problema deles é que geralmente a data abrange muitas ONGs e muitos pets, então termina que acontecem muitos eventos no mesmo dia. Mas nós mantemos semanalmente nossa feirinha de adoção e o evento temático é só uma maneira de agradar o público. Para ver o pessoal mais bonitinho, nossos animais enfeitados, procurar agradar com o brechó, com nosso sorteio, trazendo novidades. Também não podemos fazer muito, porque tudo depende de custo.

    .ba: E quanto às outras feiras de adoção? Caso o leitor queira adotar, como ele pode fazer?

    KC: Aqui mesmo na Praça Ana Lúcia Magalhães, todos os domingos, das 9h às 13h. Os requisitos para a feirinha de adoção: tem que ser maior de 18 anos, trazer RG, CPF, comprovante de residência e passar por uma entrevista de avaliação. A pessoa não pode repassar esse animal para outra pessoa. Ela assina um termo de responsabilidade, dando tudo certo, o animal é encaminhado para essa casa e nós ficamos acompanhando por algum tempo.

    Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
    Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

     

    .ba: Vocês fazem trabalho de resgate? Se, por exemplo, alguém trouxer um animal para vocês, ele poderia ficar?

    KC: Nós não estamos resgatando animais, porque não tem condições. Temos mais de 400 animais, o que significa superlotação em um abrigo que ninguém entende. Significa zoonose e morte. Então, a gente tem que ter esse controle, por conta de doenças e brigas. Não adianta você pegar um animal e achar que está fazendo caridade botando em um abrigo. Não! Você pode estar condenando ele a morte. Porque ele está entrando em uma matilha, a matilha está querendo sobreviver em um espaço curto, pequeno, de superlotação. Ele pode não ser aceito e morrer de uma maneira trágica. As pessoas precisam entender isso. As pessoas acham que o abrigo é um lar, não. Por mais amor que a gente dê, o abrigo é um espaço pequeno, superlotado e os animais disputam território. Nós temos as matilhas formadas, e inserir um animal de fora, é um problema. Aí a população pobre ao redor bota animais lá abandonados, que são esses que vocês veem. A gente ajuda essa população pobre dali, pois não tem como não fazer isso. A gente já tentou um trabalho educacional, porque é isso que precisa, para eles castrarem os cães adultos deles, pois eles não castram. Ao contrário, eles acham que é bonito o animal cruzar, parir, mas depois eles pegam os filhotes desse animal e largam lá, com doença de pele, verme e tudo. Então, é esse o problema que as pessoas não entendem. Não é que a ONG não queira, a ONG não tem ajuda governamental. É do meu salário que sai, é do salário de outra voluntária, é da doação de R$ 10 que você faz, entendeu? A gente não tem um dinheiro fixo. Agora mesmo a gente está se desdobrando porque tem que pagar uma cirurgia. Fora que a gente tem funcionários de manutenção que a gente tem que pagar, pois a gente tem pessoal de limpeza, você precisa manter o abrigo limpo. Então, o abrigo, gente, não é lar, a gente abraçou o abrigo com aqueles animais, para tentar arranjar um lar para aqueles animais que estavam lá. E as pessoas não entendem isso, então a gente orienta. Vá no Facebook, coloque para adoção, mas não coloque da forma que achou na rua. Pega o cachorro, vai na faculdade, dá uma vacina mais barata, dá um remedinho de verme, faz um exame. Trata do cachorro, coloca um nome… Ajude a gente! A gente precisa ser ajudado, não temos como abraçar todo mundo. Eu não to falando só da nossa ONG. As ONGs estão realmente sem dinheiro, os abrigos estão realmente superlotados, e é muito triste você pegar e ver um animal morrer por causa de superlotação, com mordidas. Infelizmente eu estou lhe dizendo isso, porque é muito triste mesmo, e a gente chora por causa disso, sofre por causa disso. Não é porque a gente não quer acolher, é porque não temos condições.

    .ba: Você gostaria de deixar algum recado para o leitor que pode vir a ser um novo ‘pai’ ou ‘mãe’ para um dos destes animais?

    KC: O recado que eu queria deixar é que as pessoas precisam entender que a vida animal é uma vida como qualquer outra, e que o respeito é muito mais importante do que o gostar. Você não precisa gostar para respeitar, mas respeitar é uma obrigação. Vamos respeitar a vida, vamos cuidar um pouco, então é isso que é o importante.