Trump surpreende e vence. A questão: e como presidente?

    Óbvio que, como candidato, ele disse o que pensa. E como presidente não poderá fazer tudo o que quer, mas muito do que pensa

    Frase da vez

    “Enquanto a cor da pele for mais importante do que o brilho dos olhos, sempre vai existir guerra”

    Bob Marley, cantor e guitarrista jamaicano que popularizou o reggae (1945-1981)

    trump

     

    Xenofobia vem do grego “xénos” (estrangeiro) e “phóbos” (medo). Numa tradução simplista, medo de estrangeiro.

    Durante a campanha, Donald Trump estrilou xenofobismo (primo carnal do racismo). Disse que os estrangeiros “não mandam para cá gente que presta”. E prometeu construir um muro separando EUA e México. Curiosamente, em todos os estados fronteiriços com o México, ele goleou.

    Surpreendentemente, após a vitória, Trump trocou o discurso extremamente agressivo da campanha, sem compostura, por vezes usando expressões chulas, digno dos nossos mais notáveis baixos astrais, mais parecendo um troglodita da civilidade, e apareceu no cenário com um discurso conciliador. Disse que será “o presidente de todos”.

    Em quem acreditar: no Trump candidato ou no presidente eleito? Óbvio que, como candidato, ele disse o que pensa. E como presidente não poderá fazer tudo o que quer, mas muito do que pensa.

    No lado econômico, as bolsas no mundo inteiro, a começar pelos EUA, caem. Prevê-se que o mercado financeiro terá hoje um dia tenso. No lado político, a luz vermelha acendeu. A expectativa é de que o mundo retrocedeu e vai mergulhar num longo período trevoso.

    Espera-se mais guerras para nutrir a bilionária indústria bélica norte-americana em nome do resgate do “orgulho da América”. Espera-se turbulências sangrentas nos quatro cantos do planeta.

    Oxalá Trump surpreenda como presidente, como o fez nas urnas. Mas tal e qual a campanha, em que ninguém acreditava na vitória dele, também ninguém acredita que o presidente seja lá boa coisa para o mundo.