‘Elon’, é nova versão – inferior -,de ‘Para minha amada morta’

    A espera tensa que o longa transmite pode ser facilmente comparada à de "Para minha amada morta" (2015), de Aly Muritiba A diferença é que este segundo não enche linguiça

    Foto: Divulgação

    Após o desaparecimento de sua esposa, Madalena, Elon imerge em uma jornada insone pelos cantos mais sombrios de Belo Horizonte, buscando entender o que pode ter acontecido com ela, na tentativa de não perder sua sanidade no caminho. Essa é a premissa do filme mineiro “Elon não Acredita na Morte”, exibido neste domingo (13), durante o festival Panorama Internacional Coisa de Cinema.

    Com uma direção brilhante de Ricardo Alves Junior, o longa utiliza de muita câmera na mão, principalmente na altura dos olhos do protagonista – mas com ele sempre de costas. Tudo começa quando Elon (interpretado pelo excelente Rômulo Braga) vai buscar Madalena (Clara Choveaux) no trabalho e não a encontra. A partir daí somos atirados e acorrentados ao universo da personagem, passeando por bordéis e necrotérios em busca de seu paradeiro, em uma suposta fuga que não deixou pistas.

    Com temperamento passivo-agressivo e uma obsessão pela mulher, acompanhamos um protagonista doentio que tem o seu psicológico degradado: ele esmurra paredes, corre sem destino pelas ruas, vasculha edifícios abandonados… tudo isso mantendo uma calma repugnante. A espera tensa que o longa transmite pode ser facilmente comparada à de “Para minha amada morta” (2015), de Aly Muritiba. A diferença é que este segundo não enche linguiça.

    Mesmo com atitudes corajosas – como a cena de sexo sem penetração ou o próprio nome do título que é a personificação perfeita de um spoiler –,”Elon não Acredita na Morte” funcionaria melhor como curta-metragem.