Solla critica PT em carta e cobra transparência no partido

    Petista disse que as decisões da sigla precisam passar por consultas amplas e os debates não podem ficar restritos aos filiados

    Em reunião do diretório do PT, nesta sexta-feira (18), o deputado federal Jorge Solla distribuiu uma carta na qual tece duras críticas à sigla. Intitulada de “O que fazer?”, o documento pede que o partido seja mais “aberto e transparente”.

    O petista disse que as decisões da legenda precisam passar por consultas amplas e os debates não podem ficar restritos aos filiados. “O PT é e tem de ser cada vez mais de todos os brasileiros que sonham com um Brasil mais justo e não apenas de um grupo circunstancialmente majoritário. Precisamos de menos decisões nas mãos de poucos e mais frentes amplas”, afirmou, sem citar nomes.

    O parlamentar criticou o fato de as decisões sobre candidaturas do PT serem tomadas pelos dirigentes do governo com o “consentimento submisso” da direção do partido. “Fazer críticas às decisões e políticas de nossos governos passou a ser visto como defecções a serem repugnadas. O exercício da crítica construtiva, para corrigir rumos, aperfeiçoar as políticas públicas praticadas e fortalecer nossas administrações passou a ser visto como ameaças”, condenou.

    ‘Subiu à cabeça’ – Ainda na carta, Solla afirmou que as “vitórias” dos governos petistas “subiu à cabeça” de membros do PT. Criticou também o fato de a agremiação, enquanto esteve no poder, não ter feito as reformas tributária, política e dos meios de comunicação, que, segundo ele, eram “essenciais para mudar a estrutura do Estado brasileiro e desequilibrar o poder da elite econômica do país”.

    “Relegamos a segundo plano a única conciliação real, a com o povo trabalhador. Em vez de pautar plebiscitos e ir para o embate de opiniões na sociedade, optamos pela via das malfadadas concessões”, condenou.

    O petista culpou a mídia, o Judiciário “partidário” e a situação econômica internacional pelas crises política e econômica do país. “Olhando para dentro, o PT precisará de mudanças em sua estrutura para inovar nos mecanismos de diálogo interno e com a sociedade. O PT não é meu, do Lula e da Dilma. Nossa máquina partidária infelizmente enferrujou, deformou e enrijeceu”, pontuou Solla.