Geddel balança, mas não cai. E espera para ver como é que fica

    Ele tem a favor dois fatos, um da habilidade própria e outro midiático. É competente na articulação política, o que conta ponto, e também, nestes tempos de Lava Jato, o Brasil tem sido pródigo na produção fatos novos bombásticos

    Frase da vez

    “O maior mal de um país é um governo fraco; não pode impor boas medidas e consente que lhas imponham más” 

    Benjamin Disraeli, escritor e político inglês (1804-1871)

    Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil.
    Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil.

     

    Os que conhecem a intimidade do PMDB de perto dizem: Michel Temer jamais deletaria Geddel do governo de bate pronto. O episódio, embora com forte potencial explosivo, a acusação de usar o poder em benefício próprio, não teve força para tanto. Os dois são velhos amigos.

    Geddel agora vai depender de a mídia esquecer ou não o fato. Não foi à toa que ontem, quando um dos integrantes do Conselho de Ética da Presidência pediu vistas do processo para investigar o affair entre ele e o ex-ministro Marcelo Calero, da Cultura (após cinco terem votado a favor da apuração), o que adiaria a decisão para dezembro, o próprio Geddel pediu a agilização do caso. Por um detalhe: para o bem ou para o mal, quanto mais rápido liquidar o assunto, melhor.

    Ele tem a favor dois fatos, um da habilidade própria e outro midiático. É competente na articulação política, o que conta ponto, e também, nestes tempos de Lava Jato, o Brasil tem sido pródigo na produção fatos novos bombásticos.

    E tem também dois contra: é um ministro forte e muito visado, pela mídia e pelos opositores.

    Seja como for, o caso está em aberto.

    Fora disso, na Bahia, é a oposição rezando por ele e os governistas torcendo contra. Uma queda de Geddel hoje mataria as expectativas de duas centenas de prefeitos.

    Epigrama do rebu

    Geddel entrou no olho do furacão depois que Marcelo Calero, ex-ministro da Cultura, disse em entrevista a Folha de São Paulo que pediu para sair porque sofreu pressão do ministro baiano para liberar a construção do prédio La Vue (a vista), no Centro Histórico de Salvador. Antônio Lins mandou o epigrama.

    O Edifício de Geddel

    Conhecido como “A Vista”,

    Pode virar um bordel

    Depois daquela entrevista