Ex-líder de Dilma na Câmara pegou propina de R$ 97 mil, diz PF

    De acordo com as investigações, pagamento ocorreu por meio de dois cheques: o primeiro, no valor de R$ 30 mil, foi descontado por um escritório de advocacia

    José Guimarães (PT-CE) Foto: Agência Câmara

    A Polícia Federal concluiu na quarta-feira (23) o inquérito 4259 do Supremo Tribunal Federal, instaurado no âmbito da Operação Lava Jato. O deputado José Guimarães (PT-CE), ex-líder do Governo Dilma Rousseff na Câmara, teria recebido propina de R$ 97 mil do ex-vereador do PT Alexandre Romano, o Chambinho – um dos delatores da Lava Jato.

    Segundo nota da PF, “a investigação comprovou que um deputado federal do Ceará recebeu propina do colaborador Alexandre Romano no valor de R$ 97.761,00 em troca de sua intervenção junto ao ex-presidente do Banco do Nordeste do Brasil – BNB, seu apadrinhado político”.

    “Em razão dessa atuação, foi facilitada e viabilizada a concessão de financiamento de R$ 260 milhões pela instituição financeira às subsidiárias de uma empresa responsável pela construção de usinas eólicas no estado da Bahia”, diz nota da Federal.

    O pagamento da propina, de acordo com a PF, ocorreu por meio de dois cheques do colaborador. O primeiro, no valor de R$ 30 mil, foi descontado por um escritório de advocacia.

    O segundo cheque, no valor de R$ 67.761,00, era destinado a uma companhia de indústria e comércio de papel, que forneceu matéria prima a uma empresa gráfica que prestava serviços ao deputado.

    Foram identificados elementos suficientes para apontar a materialidade e autoria dos crimes de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro pelo parlamentar.

    Também foram apontados indícios suficientes de autoria e materialidade do delito de corrupção passiva qualificada cometido pelo ex-presidente do Banco do Nordeste do Brasil.

    O relatório conclusivo do inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, informou a PF, na quarta-feira, com todo o material produzido no decorrer das investigações.

    José Guimarães é irmão de José Genoíno ex-presidente do PT.

    Em 8 de julho de 2005, José Adalberto Vieira, então assessor de Guimarães, foi preso no Aeroporto de Congonhas em São Paulo com US$ 100 mil escondidos na cueca, e mais R$ 209 mil numa maleta de mão, quando embarcava para Fortaleza.