Deputados vão poder votar pacote anticorrupção sem se identificar

    Decisão permite que parlamentares votem, sem deixar "digitais", emenda ao pacote de medidas de combate à corrupção que blinda de punições quem recebeu recursos não contabilizados

    Câmara Federal votação 2411 (Foto: Agência Câmara)

    O plenário da Câmara dos Deputados rejeitou, no início da tarde desta quinta-feira (24), em votação simbólica, um requerimento para votações nominais na votação do pacote das medidas de combate à corrupção aprovado na madrugada desta quinta na comissão especial.

    Essa decisão permite que os deputados votem, sem deixar “digitais”, uma emenda ao pacote de medidas de combate à corrupção que, ao invés de reforçar a atuação dos crimes, fará justamente o contrário: blindar parlamentares e outros políticos de eventuais punições por terem recebido recursos não contabilizados.

    Partidos como PSOL, Rede, PHS protestaram, pediram verificação da votação (o que significa voto no painel eletrônico), mas o pedido não foi atendido. O PDT, que inicialmente apoiava o pedido de verificação, retirou o apoio.

    Durante a sessão, líderes partidários da Câmara mudaram a orientação de voto original para suas bancadas a fim de impedir a votação nominal do pacote anticorrupção. Os líderes deixaram às pressas, a reunião que ocorria na presidência da Casa, para reorientar suas bancadas a votar contra o pedido do PSOL. PT, PSB, PSDB, PSD e os demais grandes partidos foram mudando a orientação.

    A anistia ao caixa 2, por exemplo, impediria enquadrar parlamentares criminalmente por corrupção e lavagem de dinheiro, base das imputações penais feitas pela Operação Lava Jato.

    Essa ação, com o aval da cúpula da Câmara e do Senado, ocorre às vésperas da conclusão do acordo de delação premiada da Odebrecht, que deve envolver mais de 100 políticos de partidos da base, como PMDB, PSDB e DEM, e da oposição, como o PT. (Colaborou Ricardo Brito)