
A tragédia que envolveu o time catarinense da Chapecoense, na madrugada desta terça-feira (29), chocou os brasileiros que, ainda atordoados, acompanharam a cobertura sobre a queda do avião que levava o clube à Colômbia. Apesar da gravidade do desastre, que provocou a morte de 76 pessoas – entre elas, 21 jornalistas – o site Catraca Livre fez postagens de gosto duvidoso na página do Facebook e recebeu críticas dos internautas.
A primeira publicação, por volta das 8h, levou o título: “Medo de voar? Saiba como lidar com isso!”. Na legenda, a página se valia do acidente para oferecer dicas aos leitores. “Diante do trágico acidente na madrugada com o avião que levava a equipe de futebol da Chapecoense para a Colômbia, ajudamos a lidar com o medo”, publicou.
Rapidamente, diversas pessoas se pronunciaram contra o post. “Você já descurtiu o Catraca Livre hoje? Em homenagem aos falecidos no acidente da Chapecoense e seus familiares, eu descurto o Catraca Livre e ainda clico em MAIS e denuncio essa página”, dizia um dos comentários.
O Catraca Livre, no entanto, seguiu com a série de postagens. “10 fotos pesadas de pessoas instantes antes da própria morte”, dizia a chamada de uma matéria. “Com certeza quem assistir o vídeo ‘Passageiros que filmam pânico em avião’ vai viajar muito mais tranquilo e a família e amigos dos que morreram vão se sentir plenamente confortados. Vocês não passam de um bando de caça-cliques sem qualquer escrúpulo”, rebateu o presidente do Conselho de Administração da empresa Movimento Viva Brasil, Benedito Gomes Barbosa Jr., em comentário.
Mais adiante, o site voltou a publicar sob o título “10 mitos e verdades sobre viajar de avião”, em alusão, ainda, à catástrofe que dizimou grande parte do clube que iria pela primeira vez, em 43 anos de história, à final de um torneio internacional, a Copa Sul-Americana.
Com a adesão massiva dos internautas à crítica em relação às publicações de teor sensacionalista, o site tentou contornar a situação intensificando o ritmo de postagens com outros temas. Não foi o suficiente. “Estão postando a cada minuto para esconder a merda que fizeram. Sério? Não adianta catraca, todo mundo já viu o quanto são hipócritas e desrespeitosos”, disparou uma leitora.
O Catraca Livre tentou se justificar e afirmou considerar “relevante jornalisticamente mostrar outros aspectos da tragédia como, por exemplo, o medo de voar e os mitos. Em momentos assim, o pânico se espraia: é necessário mostrar que o avião é o meio mais seguro de transporte” afirmou em um dos trechos. O repórter do G1 em 1 minuto, Cauê Fabiano, rechaçou a tentativa de absolvição.

O bahia.ba tentou contato com o Catraca Livre mas, até o fechamento da reportagem, não obteve retorno.
Esclarecimento
O jornalista Gilberto Dimenstein, criador do Catraca Livre, assumiu, em nova postagem no facebook, a responsabilidade pela reportagens sobre a Chapecoense.
Na publicação, Dimenstein afirmou que ninguém da redação havia participado da decisão pelas matérias, exceto ele.
“Ganhei muitos prêmios como escritor e jornalista – e aprendi que pior do que errar é não reconhecer o erro. Aliás, toda a redação foi contra e, numa conversa franca, expuseram suas discordâncias. Aprendi que errar é uma fonte de aprendizado enorme.Portanto, peço desculpas se as reportagens feriram as pessoas. E se tiverem que culpar alguém, apontem apenas para mim.Espero, assim, ser melhor do que fui”, afirmou no post.

