Odebrecht pede desculpas. Falta a delação que vai lavar o Brasil

    Dessa forma, a empresa diz que não importa se cedeu “às pressões externas ou se há vícios que precisam ser corrigidos”

    Frase da vez

    “Deus fez do arrependimento a virtude dos mortais”

    Voltaire, escritor e filósofo francês (1694-1778)

    Foto: Juca Varella|Estadão.
    Foto: Juca Varella|Estadão.

     

    Numa atitude única na história do Brasil, a Odebrecht, a maior empresa do país, pediu perdão. É um marco. Implicitamente admite, jogo era sujo mesmo e daqui para frente será diferente.

    Ou seja, o Brasil jamais será o mesmo. Lógico que a Odebrecht, assim como as demais empresas envolvidas na Lava Jato, é uma banda da questão. Falta a outra, a política, até agora muito mal resolvida, tão mal resolvida que muitos dos envolvidos, ao invés de se penitenciarem, investidos de mandatos que deveriam ser da representação popular, buscam legislar para forjar um cenário que lhes garanta a impunidade, o que por si só é uma imoralidade.

    Mais uma vez, a Odebrecht sinaliza positivamente. Mostra que a delação em andamento, tão temida pelos políticos, vem que vem, sem subterfúgios. Ao pedir desculpas, a empresa diz que não importa se cedeu “às pressões externas ou se há vícios que precisam ser corrigidos”.

    Traduzindo: não importa se cedeu a pressão dos políticos ou se o esquemão era esse mesmo, o toma lá dá cá.

    Falta a banda dos políticos nesse jogo. O que se tem até agora é pouco ante a vastidão da meleira.

    Seja como for, a posição da Odebrecht indica que a história do Brasil está virando uma página. Ou que a Lava Jato vai lavar mesmo.