Barulho marca abertura de exposição em homenagem à Tropicália

    Entre falta de educação do público e problemas na aparelhagem de som, a programação se desenvolveu na quase total ininteligibilidade

    Foto: Reprodução/Facebook

    A noite de abertura da mostra “Tropicália – Régua e Compasso”, na quinta-feira (8), no Palacete das Artes, foi marcada por muito barulho e pouco som. Som no sentido de ruído informado, como proclamava Walter Smetak, um dos homenageados da ocasião. Exceto o concerto da Rumpilezzinho, comandado pelo maestro Letieres Leite, todos os outros eventos da noite foram praticamente ininteligíveis, inclusive a palestra de Tom Zé – o acontecimento mais esperado por todos. “Eu não ouvi nada. O som estava muito ruim”, disse a estudante de moda Larissa Costa. Além do baixo alcance da aparelhagem sonora, o artista teimava em afastar o microfone da boca justamente na hora de falar, atrapalhando ainda mais a audição. Apenas quem estava muito perto do pequeno palco, como a dançarina Suki, conseguiu ouvir alguma coisa.

    Por coincidência, o músico Tuzé de Abreu, que chegou na companhia de Gereba, anunciou ao bahia.ba que, no ano que vem, eles pretendem fazer um trabalho juntos que deve se chamar “O silêncio é a estrela” ou “A estrela é o silêncio”. Silêncio que faltou durante toda a cerimônia. “Se cada pessoa que está reclamando da qualidade do som ficasse em silêncio, daria para ouvir tudo”, refletiu a artista plástica Tâmara Lyra. Mesmo na hora do concerto de Uibitu Smetak, interpretando ao violino uma peça de Bach, grande admiração de seu pai, a maior parte do público optou por conversar, atrapalhando os poucos interessados na música. Enquanto a sonorização se esmerou em produzir microfonias de todas as frequências.

    Mais coincidências em torno de som, silêncio e barulho: os vídeos produzidos especialmente para a exposição não podiam ser ouvidos, porque não havia headphones nos monitores. “É uma pena, a gente correu muito para fazer tudo, mas não deu tempo de preparar todos os detalhes”, justificou Bertrand Duarte, gestor da Diretoria de Audiovisual (Dimas), da Fundação Cultural do Estado. Não foi por falta de esforço. O próprio Bertrand garante que ficou até as 3h da madrugada do dia da abertura editando os vídeos. “O importante é não deixar de fazer. Não gastamos um centavo aqui, foi tudo feito com muita vontade. É um esforço que vale a pena”, declarou, ressaltando ainda que o conteúdo deve ser disponibilizado na internet em breve. Onde todos poderão ver e ouvir.

    A “Pindorama”, plástica-sonora criada por Smetak, instrumento coletivo projetado para até 22 pessoas, e que chama muito a atenção por seu formato, foi tocado por uma turma ligada ao universo do criador suíço-baiano, e também por parte do público. Mas, nem nessa hora, o silêncio foi estrela. “É muito barulho por nada”, brincou Tuzé. Antes, a diretora da Funceb, Fernanda Tourinho, afirmou que aquela não era uma exposição “em homenagem à Tropicália, mas sobre a Tropicália”. Levando em consideração o barulho (se bem que barulho-pleno, não o barulho vazio da conversa fiada) que o movimento fez no Brasil de final da década de 1960, está tudo justificado.