Capinan critica ‘burocracia cultural’ e as ‘políticas de balcão’

    Baiano de Esplanada, o artista foi um dos principais expoentes do Movimento Tropicalista; em rede social, nesta quarta, ele critica uso político da cultura

    Foto: Andrea Fiamenghi/Divulgação

    O poeta e compositor José Carlos Capinan utilizou sua conta no Facebook, nesta quarta-feira (14), para criticar aquilo que chama de “burocracia cultural”. Na publicação, Capinan faz menção ao debate “50 anos da Tropicália e 80 anos de Tom Zé”, que ocorreu na segunda (12), no auditório Leopoldo Amaral na Escola Politécnica da Ufba. O artista integrou a mesa Polêmicas Contemporâneas junto com produtores culturais, músicos e artistas.

    “A maioria dos funcionários (da máquina do Estado) está vinculada a interesses de grupos políticos e produtores culturais e se comporta individualmente como se fossem reis e rainhas das questões”, afirma. O artista acrescenta, ainda, que essas mesmas pessoas “se põem em discussão em seminários públicos e outros eventos, sempre com seus convites garantidos e com atitudes fascistoides, como se além dos seus gabinetes pudessem estar autorizando quem fala ou quem não fala”.

    Capinan critica também as “políticas de balcão” na cultura – políticas públicas que não passam pelo trâmite usual e legal para aprovação em órgãos competentes. “Pessoas e grupos, nos corredores culturais, atuam com suas quizilas e preferências para sabotar projetos, influindo sobre resultados de editais ou sufocando opiniões e propostas de quem não é de agrado de seus provisórios chefes ou mandantes”, desabafa.

    O artista de Esplanada, município do nordeste da Bahia, foi um dos principais expoentes do Movimento Tropicalista e relembrou na postagem que o tropicalismo sempre “combateu desde sempre a burocracia cultural e a arte subordinada ao estado e ao status quo dominante”. “Viva a arte revolucionária”, conclui.