Desbunde baiano dos ‘anos setenta’ mete medo em editoras

    O livro "Anos Setenta Bahia" nasceu no Facebook e reúne histórias e fotos de nomes como Janis Joplin, Vinícius de Moraes, Caetano Veloso e Robert de Niro

    Foto: Divulgação

    Uma página no Facebook, “Anos Setenta Bahia”, como o título já diz, se dedica a contar histórias da contracultura conforme vivida na Bahia dos anos 1970. Circulam nomes como Fernando Noy, dançarino argentino pioneiro na performance entre nós; Caetano Veloso; Vinicius de Moraes, então casado com a baiana Gessy Gesse e desbundando em Itapuã; Janis Joplin, que, segundo a fotógrafa Lita Cerqueira, Paulinho de Camafeu “comeu”; Irmãos Macedo; a dançarina Suki Villas-Boas; My Friend; a dupla Mick Jagger e Keith Richards; o dramaturgo Paulo Dourado; o hoje marqueteiro João Santana, então apenas Patinhas; e muitos mais.

    Circulam também histórias de sexo, drogas e roquenrol, como não podia deixar de ser. E, talvez sejam as histórias, talvez sejam os nomes, mas o fato é que editores e empresários estão fugindo da tarefa de editar um livro reunindo os relatos e as fotos daquela época. Algumas, verdadeiras preciosidades, como a que mostra Janis sorvendo uma cachaça “Saborosa” em pleno Rio Vermelho.

     

    De óculos, o marqueteiro João Santana, quando ainda era apenas Patinhas (Foto: divulgação).
    De óculos, o marqueteiro João Santana, quando ainda era apenas Patinhas (Foto: Divulgação).

     

    Assim sendo, os criadores do perfil decidiram partir para o financiamento coletivo, através do Kikante, para não deixar caladas histórias tão interessantes sobre liberdade em plena ditadura militar. “Salvador, nos anos 1970, não tinha pra ninguém. Rio, São Paulo, Londres… era a cidade mais libertária do planeta. (…) Eu experimentei tudo, traguei tudo, tomei todas as drogas possíveis, fazia sexo duas vezes por dia sem camisinha (que, na época significava apenas pequena camisa), fiz dos cinemas de Salvador meu templo de fruição cinematográfica (arte que venero) e de bordel em eterno lusco-fusco onde gozei, gozei, gozei…”, diz o crítico literário Rogério Menezes.

     

    Janis Joplin com sua garrafinha de "Saborosa", no bairro do Rio Vermelho (Foto: Divulgação).
    Janis Joplin com sua garrafinha de “Saborosa”, no bairro do Rio Vermelho (Foto: Divulgação).

     

    A campanha tem algumas faixas de colaboração e recompensa. Com R$ 35, o colaborador terá direito a um exemplar do livro. Com R$ 60, a dois. E doando 100 reais, o parceiro verá seu nome impresso na página de agradecimentos. Empresas também podem participar, com colaborações a partir de R$ 2,500.

    “Os mais de 200 parceiros-autores que por seis meses escreveram, comentaram e curtiram as narrativas incríveis sobre os anos 70 merecem que o livro vá para as ruas o quanto antes”, diz o texto de divulgação. E o livro, que já está pronto, também já tem data prevista para o lançamento. Ao menos, mês: fevereiro, mais simbólico impossível!