‘É a mesma coisa: quantos ministros de Dilma eram do PMDB?’, diz Fernanda

    Atriz ainda declarou: "Sempre ouvi que primeiro vêm as prioridades. Então não é por causa da cultura que as prioridades não se realizaram"

    Foto: Divulgação

    A atriz Fernanda Montenegro, que circula o país com o espetáculo “Nelson Rodrigues Por Ele Mesmo”, adaptação do livro homônimo organizado por Sônia Rodrigues, filha do dramaturgo, falou sobre a relação do teatro com a política, e as dificuldades para realizar grandes produções.

    “Estamos reduzidos na maioria dos casos a monólogos, diálogos, triálogos, alguns conseguem fazer textos com maior elenco, mas isso não quer dizer que o teatro está morto. Tem falta de dinheiro para tudo se a cultura é tida como uma fantasia e frescura. O governo que diz isso não entende o que é cultura e são representantes de uma cultura decadente, menosprezada”, disse, em entrevista à Glamurama.

    Questionada sobre a tentativa do governo Temer de acabar com o Ministério da Cultura, Fernanda declarou: “É tudo igual. O governo que está no poder é o mesmo que vem desde FHC, sempre tem PMDB no meio e sempre quem define são os votos do PMDB. Ninguém ganha, quem ganha é o PMDB. Quantos ministros do governo de Dilma eram do PMDB?”.

    E, ainda sobre a relação arte-política, finalizou: “Tenho a idade que tenho, 87 anos, e sempre a cultura é nada. E isso é uma cultura terrível. A cultura de negar a cultura. Temos a cultura besta de que a cultura é desnecessária e o governo que faz isso é a a besta 666 do Apocalipse. Agora, tem sempre quem diga no governo que tem outras prioridades. Então já deveriam ter resolvido essas prioridades. Estou com a idade que estou e sempre ouvi que primeiro vêm as prioridades. Então não é por causa da cultura que as prioridades não se realizaram. Porque as outras prioridades ainda estão pedindo socorro. O país tem 50% da população sem saneamento básico, vivem no excremento, na podridão, Isso é uma cultura da podridão”.