Túlio Costa: ‘Ministro da Justiça faz gol contra uso medicinal da maconha’

    Médico especialista em dor, ele chama a atenção para um fato: muitos dos anestésicos usados na odontologia são à base de cocaína

    Frase da vez

    “Sendo totalmente contrário a qualquer uso da maconha investem contra o seu uso medicinal, parecendo tentar convencer o público de que aprovação do uso médico e legalização seriam a mesma coisa, o que está longe de ser verdadeiro

    E. A. Carlini, professor de Psicofarmacologia da Unifesp, no artigo “Cannabis medicinal: não lemos e não gostamos?”

    Foto: Divulgação.
    Foto: Divulgação.

     

    O médico Túlio Costa, especialista em dor, diz que, ao pregar a implementação de uma política para a erradicação da maconha, o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, prestou um desserviço ao país.

    Mesmo que tenha recuado, contribuiu para robustecer o preconceito contra a planta, no momento em que muitos países do mundo utilizam algumas das suas substâncias contra a dor e convulsões.

    Diz Túlio que muitos dos anestésicos usados na odontologia são à base de cocaína. No caso da maconha, uma das suas substâncias, o canabidiol, poderia ser produzido em larga escala e barata, mas, segundo Túlio, os preconceitos acabam fortalecendo outros interesses, como o da indústria farmacêutica, que não tem interesse em baratear medicamentos porque lucra muito com os atuais:

    — Só um medicamento, o lyrica (indicado contra a dor), custa R$ 90 a caixa para 15 dias.

    Manifestações como a do ministro criam um ambiente de medo, o que acaba prejudicando os avanços para o uso medicinal da maconha.

    Rui ajuda

    A posição de Rui Costa anteontem, defendendo a legalização de drogas leves, como a maconha, ao contrário de Alexandre de Moraes, ajuda a derrubar preconceitos.

    Túlio diz que no caso dos medicamentos à base de maconha, eles não geram efeitos comportamentais como a droga em si.

    EM TEMPO: Daremos hoje uma parada natalina. Quarta estaremos de volta.