Ex-assessor de prefeito eleito combina ocupação da prefeitura de Jequié

    Ex-secretário de Governo, Ary Carlos orientou invasão à sede por terceirizados para impedir a liberação de recursos recebidos pelo Município

    Fachada da Prefeitura de Jequié. Foto: Sul Bahia 1

    O ex-secretário de Governo de Jequié, Ary Carlos Nascimento, articulou com funcionários terceirizados da administração municipal uma ocupação da prefeitura nesta sexta-feira (30) para impedir a liberação de recursos recebidos pelo Município.

    Ligado politicamente ao prefeito eleito da cidade, Sérgio Gameleira (PSB) – para quem trabalhou na última campanha – Ary orientou um líder dos terceirizados a organizar uma invasão à prefeitura e, em troca, ele negociaria com o futuro gestor o pagamento de salários atrasados.

    “Na sexta-feira, vai ser liberado R$ 5,1 milhões para pagamento da multa dos precatórios da prefeitura. A sexta é feriado bancário para o público, internamente não é? Então, a prefeitura pode pagar quem quiser. Se eu conseguir o compromisso de, digamos, 50% desse valor ou mais ser pago no salário de vocês, logo no início da semana que vem, vocês fariam uma ocupação na prefeitura, não deixando ninguém entrar, desligando a energia, a p* toda lá, mesmo que o pau quebrasse, para esse dinheiro não entrar na conta da prefeitura?”, sugere Ary, em áudio que circulou em grupos no aplicativo WhatsApp.

    Na gravação encaminhada ao líder dos terceirizados, Ary diz que ainda iria conversar com Gameleira para fazer o acerto. Ary foi secretário de Governo de Jequié quando Gameleira, vice-prefeito, assumiu a gestão interinamente, após o afastamento da prefeita Tânia Britto (PP), em maio deste ano. Ela reassumiu o cargo em agosto. Os grupos são rompidos politicamente.

    Procurado pelo bahia.ba, Ary confirmou a orientação de ocupar a prefeitura e disse que pretendia impedir o pagamento de todos os servidores enquanto não fosse resolvida a situação dos terceirizados.

    “Liguei para o líder dos terceirizados, Tomás; ele sempre me consulta. […] Queria fazer movimento para que eles não entrassem [na prefeitura] e não se pagasse a quem quer que seja, reservando o pagamento dos terceirizados. Tem 10 meses que a prefeitura não paga os terceirizados, e o pessoal está passando necessidade”, justificou o ex-assessor de Gameleira.