Feliz 2017! De 2016, a única coisa a agradecer é termos sobrevivido

    Agradeça ao ente espiritual que você acredita. Afinal, devemos muito à turma lá do alto. Estamos fora dos abençoados de Temer, mas sobrevivemos

    Frase da vez

    “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”

    Chico Xavier, líder espírita mineiro (1910-2002)

     

    Foto: Valter Pontes/ Agecom

     

    O Rio de Janeiro é Brasil? Pergunta mais boba, diria você. Claro que é. Tanto que alguns dizem ser a chamada Cidade Maravilhosa o portal do país.

    Mas nós fechamos 2016 parecendo que não. O Rio está sangrando, com servidores públicos vivendo de doações para não encerrar o ano com fome. E também o governo proclama o rombo nas contas públicas, o déficit recorde (toda hora superado, ressalte-se), de R$ 167,7 bilhões, um sinal de que, dizem eles, se não abrirmos o olho estaremos a caminho de virar um Rio.

    Em nome de consertar as finanças, Michel Temer impõe ao país a PEC do limite de gastos, que, segundo os especialistas, não separa com precisão direitos fundamentais de privilégios. E para a perplexidade geral, simultaneamente anuncia um reajuste para alguns servidores que vai custar aos cofres públicos algo em torno de R$ 4 bilhões.

    Há algo a ser explicado nas terras de Cabral. O discurso presidencial, que impõe sacrifícios à maioria e concede benesses a uns poucos, não convence.

    Vá explicar isso ao Sr. Manoel Bonfim dos Santos, 48 anos, morador de Coutos. Mestre de obras, ele é um dos 12 milhões de brasileiros que caiu fora do mercado de trabalho na crise. E tem dificuldades até para pagar as contas da Embasa.

    É assim que começamos 2017. E agradeça ao ente espiritual que você acredita. Afinal, devemos muito à turma lá do alto. Estamos fora dos abençoados de Temer, mas sobrevivemos.