Ex-funcionária da Odebrecht nega conhecer ex-ministro Palocci em depoimento

    Maria Lúcia era a responsável por controlar as planilhas que informavam sobre remessas de dinheiro para pessoas beneficiadas pelo esquema de corrupção

    Foto: Reprodução/TV Globo

    A ex-funcionária da Odebrecht Maria Lúcia Guimarães Tavares negou, em depoimento nesta sexta-feira (3), conhecer pessoalmente o ex-ministro Antônio Palocci (PT) e o assessor dele, Branislav Kontic. Ela foi ouvida como testemunha de acusação na ação penal que investiga o ex-ministro, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e mais 13 pessoas. Eles foram denunciados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A ex-secretária foi a primeira a falar sobre a existência do setor de propinas da Odebrecht.

    O advogado de Palocci e de Branislav Kontic, José Roberto Batochio, questionou se ela já tinha visto o ex-ministro, e Maria Lúcia respondeu: “só vi na televisão. Mas nunca estive pessoalmente com ele. E nunca falei com ele”.

    Maria Lúcia era a responsável por controlar as planilhas que informavam sobre remessas de dinheiro para pessoas beneficiadas pelo esquema de corrupção entre a Petrobras e a Odebrecht. Os documentos eram preenchidos com codinomes. A ex-funcionária, que assinou acordo de delação premiada, reafirmou o que já havia dito na colaboração, que o único apelido que ela sabia a quem se referia era o da publicitária Mônica Moura, apontada na planilha como “Feira”.

    Além de Maria Lúcia Tavares, também prestam depoimento nesta sexta-feira (3) o senador cassado, Delcídio do Amaral, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e o engenheiro Zwi Skornicki. Todos assinaram acordo de delação premiada e têm obrigação de contar o que sabem.

    De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, Palocci e a construtora Odebrecht teriam estabelecido um “amplo e permanente esquema de corrupção” entre 2006 e 2015. Mas a defesa de Palocci nega as acusações, chamando de afirmações “vazias”.