Paixão de Cristo pode não acontecer por falta de apoio oficial

    Desentendimentos entre o diretor Paulo Dourado e a Igreja Católica teriam inviabilizado os patrocínios da prefeitura e/ou do governo do Estado

    Foto: Sora Maia / Divulgação

    A “Paixão de Cristo”, espetáculo dirigido por Paulo Dourado e encenado nos últimos seis anos para um grande público, sempre gratuitamente e em espaços públicos de Salvador, pode não ter realizada a sua sétima edição, este ano, por falta de apoio oficial. O evento, que reúne mais de 300 profissionais, já foi patrocinado pelo governo do Estado e atualmente era financiado pela Prefeitura de Salvador, mas, devido a desentendimentos entre o diretor teatral e a direção da Igreja Católica, vive um momento de apreensão. Para tentar sensibilizar os executivos estadual e municipal, o dramaturgo lançou um abaixo-assinado online, em que clama que “A Paixão não pode morrer”.

    Endereçado diretamente “aos senhores prefeito e governador”, o documento repassa o sucesso do evento, de público e crítica, menciona a importância de se consolidar a Semana Santa “como uma real opção turística e uma tradição cultural significativa e distinta na agenda de Salvador”, além de “consolidar um importante espaço para a valorização e reconhecimento dos profissionais das artes cênicas da Bahia, além de reafirmar o teatro enquanto veículo milenar de cultura e sabedoria, frente a população da nossa cidade”.

    A Treta – O que se comenta é que o figurino sensual de Maria Madalena na última encenação teria sido o pivô do desentendimento entre Dourado e a Arquidiocese de Salvador, sob o comando de Dom Murilo Krieger. E as exigências da igreja versus a resistência do artista teriam inviabilizado o financiamento público – já que os governantes não querem se indispor com o poder divino. O bahia.ba tentou falar com o diretor, mas, até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta.

    Se a “Paixão de Cristo”, que chega a reunir, em média, 10 mil espectadores por dia, realmente não acontecer, deixará uma chaga profunda no calendário sacro-cênico da cidade. Será mais que lamentável.