O cineasta Fernando Grostein Andrade, 36, teve sua sexualidade divulgada como notícia na imprensa, no ano passado. Irônico, ele comenta: “Eu não sabia que em 2016 é notícia um cineasta ser gay”. De qualquer forma, a audiência do artista cresceu com a banalidade das manchetes. No Instagram, por exemplo, ele saltou de 8.000 para 35 mil seguidores.
O fato dele ser irmão do apresentador Luciano Huck deu ainda mais pano para a manga do sensacionalismo. Fernando, diretor de documentários como “Coração Vagabundo”, que acompanha Caetano Veloso em uma turnê mundial, e editor da página “Quebrando o Tabu”, que tem 6,8 milhões de seguidores, lembrou, em entrevista à Folha de SP, que o florescer de sua sexualidade não se deu sem conflitos. Muito pelo contrário.
Após falar da morte do pai, um publisher da revista “Playboy” que discutia as capas da publicação na hora do jantar, quando ele tinha apenas 10 anos, o cineasta comenta: “Me fechei no meu mundo. E, como toda criança normal de 11 anos [irônico], comecei a cultivar orquídeas. O jornal ‘SPTV’ fez uma matéria sobre mim, com o César Tralli, na minha casa. E de repente todo mundo na escola sabia que eu cultivava orquídeas. Comecei a ser zoado. E comecei a ter vergonha. Eu fazia hipismo, usava aqueles culotes justinhos. Começaram a me zoar na hípica, me chamando de florzinha. Parei de cultivar as orquídeas”.
“Com 14 anos eu tive um sonho com um amigo meu. E comecei a me sentir estranho. Comecei a me sentir com vergonha da minha família, dos amigos, de tudo. Comecei a me fechar, me fechar, me fechar cada vez mais. Comecei a me obrigar a ver a ‘Playboy’, para ver se a coisa ia, na força, no jeito”, disse. E continuou: “”Eu cresci achando que estava doente, que meu desejo era algo para se envergonhar, que aquilo era crime, até”.
Após dissecar a própria história, sem esconder detalhes, Fernando Grostein, que lançou no Youtube um canal de sua produtora, a Spray Filmes, e logo no primeiro vídeo decidiu falar sobre esse assunto, revela que, após assumir, sua vida melhorou drasticamente. “A minha família no começo reagiu assustada, com medo do que a vida ia reservar para mim, dizendo que eu escolhi um caminho mais difícil. E aí eu expliquei para eles que eu não escolhi nada. Que a gente não escolhe isso, a gente simplesmente é. (…) E aos poucos eu fui ganhando força, confiança.
Até que eu senti um amor muito profundo na minha vida e esse amor me fez perceber que tava tudo realmente 100% Ok em ser gay”, conclui.

