Única mulher entre delatores da Odebrecht, baiana cuidava de propina

    O setor onde Angela Palmeira Ferreira trabalhava movimentou, de 2006 a 2014, US$ 3,39 bilhões em transações ilícitas

    Foto: Geraldo Bubniak/AGB

    A assistente administrativa Angela Palmeira Ferreira, de 61 anos, é a única mulher do grupo de 77 funcionários e ex-funcionários da Odebrecht que firmou acordo de delação com os procuradores da Operação Lava Jato, segundo informou o jornal Folha de S. Paulo.

    Há mais de 30 anos na companhia, a baiana dividia com a colega Maria Lúcia Tavares a logística das movimentações ilícitas realizadas pelo setor de operações estruturadas, a área de pagamentos de propina da empreiteira. O departamento movimentou, de 2006 a 2014, US$ 3,39 bilhões.

    Quando Angela foi presa, a Odebrecht já tinha convicção de que um acordo era a única opção do grupo para garantir a sobrevivência da empresa. Ao contrário da colega, que ficou dez dias detida com prisão temporária renovada, ela ficou apenas quatro em Curitiba. Quando saiu, já sabia que o seu acordo era negociado em conjunto com os demais executivos, como o próprio Marcelo Odebrecht, herdeiro e presidente do grupo.

    Pouco mais de um ano após a sua prisão, a assistente está afastada da companhia, mas com advogados e custos bancados pela Odebrecht. Discreta, falava com poucos funcionários fora do setor de pagamento de propinas e se restringia a dar “bom dia”.