Após fracasso de SAF, clube reduz dívida milionária e conquista acesso

    Equipe cortou débito pela metade durante processo de reconstrução financeira

    Foto: Mateus Dutra / SE Gama

    O Gama garantiu o retorno à Série C do Campeonato Brasileiro em meio a um processo de reconstrução que ultrapassa os resultados dentro de campo. Depois de uma primeira experiência frustrada com a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e de acumular R$ 56 milhões em dívidas, o clube do Distrito Federal reduziu praticamente pela metade o passivo enquanto recuperou espaço no cenário nacional.

    O acesso foi conquistado após o Alviverde superar o São José nas quartas de final da Série D. Com a classificação, o clube assegurou uma das quatro vagas na Terceira Divisão de 2027 e agora segue na disputa pelo título nacional.

    A campanha começou com domínio na primeira fase. Inserido no Grupo A3, o Gama terminou na liderança e sem derrotas, com 26 pontos conquistados em dez partidas. Foram oito vitórias e dois empates.

    No mata-mata, a equipe eliminou Mixto-MT e Porto Velho antes de superar o América-RN. O confronto seguinte, contra o São José, valeu o tão aguardado acesso. O cenário atual contrasta diretamente com aquele encontrado pelo clube há três anos.

    Primeira SAF terminou em 2023

    A tentativa inicial de transformar o futebol do Gama em SAF começou em 2022. O projeto, porém, durou pouco. Problemas financeiros e divergências relacionadas ao contrato comprometeram a parceria, que acabou encerrada no ano seguinte. Com o fim do modelo, o Gama voltou a funcionar como associação em 2023 e precisou lidar com uma situação financeira delicada.

    Naquele momento, as dívidas chegavam a aproximadamente R$ 56 milhões. Além dos débitos acumulados, o clube enfrentava dificuldades para arcar com despesas cotidianas e possuía uma estrutura que necessitava de investimentos. A partir daí, uma nova estratégia passou a ser adotada.

    Dívida cai de R$ 56 milhões para R$ 27 milhões

    Um grupo de investidores assumiu a gestão do futebol profissional por meio de um contrato de terceirização. O modelo permite o financiamento das atividades da equipe enquanto a criação de uma nova SAF aguarda o avanço do processo de Recuperação Judicial.

    Durante esse período, o passivo do Gama caiu para aproximadamente R$ 27 milhões. Na comparação com os R$ 56 milhões registrados anteriormente, a redução chega a cerca de R$ 29 milhões.

    A reestruturação também alcançou o patrimônio utilizado pelo futebol. O Centro de Treinamento recebeu intervenções nos campos, academia, departamento médico, refeitório e rouparia. As categorias de base passaram a contar ainda com o projeto DNA Gamense, financiado por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.

    Gama ainda busca o título da Série D

    Com o acesso assegurado, a temporada ainda não terminou para o clube do Distrito Federal. O Gama enfrenta o ASA de Arapiraca na semifinal da Série D e tenta chegar à decisão da competição. Do outro lado da chave, Uberlândia e ABC disputam a segunda vaga na final.

    Assim, três anos depois do encerramento da primeira experiência com uma SAF e após reduzir significativamente o endividamento, o Gama volta a disputar uma divisão acima do Campeonato Brasileiro e ainda pode concluir a campanha com um título nacional.