Mansur defende descriminalização do aborto em plano de governo

    Programa reúne 17 propostas voltadas à igualdade de gênero, rede de acolhimento e direitos reprodutivos

    Foto: Divulgação

    Um dos temas centrais entre as propostas do candidato ao governo da Bahia Ronaldo Mansur (PSOL) é a descriminalização do aborto. Nas diretrizes apresentadas pela sigla para a gestão estadual, o postulante detalha seu posicionamento sobre a pauta, que envolve saúde pública e mobiliza diferentes setores da sociedade.

    Na avaliação da federação PSOL/REDE, o apoio ao aborto legal representa a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, além de uma medida para a prevenção de procedimentos inseguros e clandestinos.

    O documento que o bahia.ba teve acesso trata a questão como um direito fundamental, com foco em populações atingidas pela pobreza e pela desigualdade racial, defendendo a autonomia sobre o corpo e a preservação da dignidade.

    A inclusão da pauta marca uma diferenciação em relação ao programa do PT, posicionando a candidatura de Mansur no campo da esquerda. Em declarações públicas, o candidato mantém tom crítico à condução da gestão estadual petista, embora declare apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O que dizem as diretrizes do PSOL

    A garantia de direitos sexuais e direitos reprodutivos, além de política de saúde pública, visa a prevenção de abortos inseguros e ilegais, tratando o tema como direito fundamental de pessoas subalternizadas pela condição de pobreza e raça, dando autonomia para decidir sobre seus corpos com a garantia de dignidade.

    Na sua maioria, são mulheres negras e em condição de desigualdade extrema as maiores vítimas letais de procedimentos precários recorridos em situações de desamparo.

    A centralidade da questão racial no Brasil pauta nossa concepção de justiça reprodutiva para além da escolha de gestar. A partir da noção de justiça reprodutiva, apontamos também a urgência de reorientar um sistema criminal que oprime quem precisa e quer interromper uma gestação, e assegurar o direito à maternidade desejada e digna, livre de violência obstétrica e mortalidade ou esterilização forçada e eugenista de mulheres racializadas e pessoas com deficiência.

    Propostas de Ronaldo Mansur

    Educação sexual em unidades escolares e de saúde básica, incluindo regiões rurais e comunidades tradicionais, abordando a prevenção à violência sexual, doméstica e de gravidezes precoces ou indesejadas. Saúde reprodutiva para além da lógica materno infantil e assegurando a escolha ou abstenção do uso de contraceptivos;

    Dignidade menstrual para pessoas em vulnerabilidade social;

    Acesso a contraceptivos e aborto legal pelo SUS;

    Aborto legal e seguro;

    Universalizar o acesso a creches públicas e inclusão de período noturno de cuidados infantis em zonas urbanas e rurais;

    Criação de restaurantes comunitários geridos por cooperativas locais com unidade campo-cidade como medida emergencial de enfrentamento à fome e geração de renda;

    Criar o Programa de Reconhecimento de Tempo de Serviço por Trabalhos de Cuidado, em que os períodos dedicados ao cuidados doméstico sejam contabilizados para aposentadoria, sendo aptas a reclamar os benefícios pessoas responsáveis pela manutenção dos cuidados com a casa da família e responsáveis pelos cuidados com as crianças, pessoas com deficiência e dependentes por condição de saúde e mães beneficiárias de programas assistenciais parentais;

    Centros de referências de atendimento à mulher em todas as cidades, a fim de assegurar o acesso das mulheres ao serviço;

    Casas de acolhimento provisório para mulheres em situação de violência que não estejam em risco iminente de morte mas necessitem de residência temporária e rápida resolução para o seu caso;

    Patrulhas Maria da Penha com a utilização de viaturas e equipes das guardas municipais na realização de visitas residenciais periódicas às mulheres em situação de violência doméstica;

    Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deam) 24 horas por dia e 7 dias por semana;

    Capacitação permanente sobre diversidade de gênero e raça às equipes da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres;

    Ações de caráter preventivo, no campo da educação, e criação de programas de responsabilização e reflexão para homens autuados por crimes de violência contra a mulher, com o objetivo de diminuir os níveis de reincidência e produzir masculinidades calcadas no respeito e na não-violência;

    Criar espaços de referência para atendimento, acolhimento e reinserção no mercado de trabalho de mulheres egressas do sistema prisional e suas famílias;

    Garantir o cumprimento das cotas de mulheres candidatas, com tempo de rádio, televisão e financiamento;

    Reforma política para implementar a paridade na representação parlamentar e a avaliação das proporções de representação social a partir da realização de um censo demográfico que leve em conta também características étnicas;

    Implementação universal de cotas de 30% nas mesas diretoras e comissões legislativas.