Juiz dos EUA diz que registro para prender Filipe Martins é falso

    Documento usado pelo ministro Alexandre de Moraes para prende o assessor de Bolsonaro seria falso segundo o juiz federal

    Reprodução/Redes Sociais

    O juiz federal norte-americano Gregory Presnell afirma que um registro de imigração utilizado no processo para prender Filipe Martins é falso. O documento, citado em 2024 pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicava que o ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro havia entrado nos Estados Unidos em 30 de outubro de 2022, mesma data em que Bolsonaro viajou para Orlando.

    A defesa de Filipe negou a permanência de Filipe nos Estados Unidos e apresentou provas de que ele estava no Brasil, tendo incluindo a confirmação de um voo doméstico no dia seguintem em que ele teria supostamente entrado nos EUA.

    A transcrição das audiências realizadas na Justiça Federal da Flórida foi divulgada nesta sexta-feira (21), mas a audiência foi realizada em 26 de março de 2026, durante ela o juiz Presnell questionou a origem do registro que chamou de “falso” e cobrou esclarecimentos das autoridades norte-americanas sobre como a informação incorreta foi inserida no sistema de imigração.

    Presnell também criticou o fato de as autoridades reconhecerem que o documento continha informações falsas e mesmo assim não esclareceram quem incluiu o registro no sistema ou como isso ocorreu.

    Juiz declarou que um registro falso afetou a vida de uma pessoa

    “Houve um registro falso feito nos sistemas da Patrulha de Fronteira que afetou uma pessoa de forma considerável. O governo reconhece a falsidade e a gravidade disso”, declarou o juiz.

    A informação teve impacto no processo envolvendo Filipe Martins no Brasil, já que em fevereiro de 2024, Moraes determinou a prisão preventiva do ex-assessor, considerando que existia a possibilidade de ele deixar o país, escapando da Justiça. 

    Em 2025 a alfândega reconheceu que Filipe não tinha entrado nos EUA

    Em outubro de 2025, a própria Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) reconheceu que Martins não havia entrado no país na data registrada e admitiu que a informação no sistema estava incorreta.

    Durante a audiência, Presnell determinou que a CBP forneça documentos capazes de esclarecer a origem do registro. Martins foi condenado em 2025 a 21 anos de prisão por participar no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.