STF debate integração do Judiciário contra crime organizado

    A reunião foi convocada por Moraes no contexto da audiência pública realizada hoje e amanhã (25) para debater a Lei Antifacção

    Foto: Luiz Silveira/STF

    O ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), reuniu, na segunda-feira (24), presidentes de tribunais de Justiça, tribunais regionais federais e tribunais de Justiça Militar para discutir o aprimoramento da atuação do Poder Judiciário no combate ao crime organizado.

    Também participaram do encontro, realizado no STF, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e o presidente e o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministros Luis Felipe Salomão e Mauro Campbell Marques, respectivamente.

    A reunião foi convocada por Moraes no contexto da audiência pública realizada hoje e amanhã (25) para debater a Lei Antifacção, questionada em quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 7952, 7956, 7957 e 7958) em tramitação no STF sob relatoria do ministro. A norma, Lei 15.358/2026, instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado.

    Atuação do judiciário

    Alexandre de Moraes afirmou que, além das discussões sobre a nova legislação, é necessário avaliar como o Judiciário pode se organizar e interagir melhor diante da nova realidade do crime organizado.

    O ministro Edson Fachin defendeu a atuação integrada do Judiciário no enfrentamento ao crime organizado, diante de organizações que operam em redes econômicas, territoriais e transnacionais. Segundo Fachin, “a resposta estatal à criminalidade em rede exige necessariamente uma Justiça que também atua em rede”. Ele acrescentou que a resposta deve combinar especialização da Justiça, integração entre magistrados, inteligência e análise de dados, combate à estrutura financeira das organizações e ampliação da cooperação internacional.

    Possíveis soluções apresentadas

    Entre os pontos apresentados para discussão, Alexandre de Moraes destacou a implantação de varas colegiadas para o combate ao crime organizado e a possibilidade de criação de varas criminais regionais. Para o ministro, a organização territorial tradicional da Justiça criminal precisa ser debatida diante de crimes que deixaram de ter alcance apenas local e passaram a atuar de forma intermunicipal, interestadual e internacional.

    O vice-presidente do STF explicou que o objetivo deste primeiro encontro foi apresentar ideias e ouvir os presidentes dos tribunais para aprofundar o debate em novas reuniões, e afirmou: “Essa atuação pode ser mais organizada e global”.

    O ministro Luis Felipe Salomão destacou o caráter pioneiro da iniciativa do relator. Segundo ele, os tribunais têm conhecimento e experiência para contribuir com propostas e com a construção de medidas destinadas a aprimorar o sistema de Justiça.

    De acordo com o STF, ainda nesta semana, Alexandre de Moraes também conduzirá encontros com representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública para discutir aspectos relacionados à Lei Antifacção.