Mansur critica Pix Saúde de ACM Neto e prevê ‘escândalo futuro’

    Candidato do PSOL comparou proposta ao Pé na Escola e criticou transferência de recursos públicos para a iniciativa privada

    Foto: Gabriela Encinas / bahia.ba

    O candidato ao Governo da Bahia pelo PSOL, Ronaldo Mansur, criticou o Pix Saúde, uma das propostas apresentadas por ACM Neto (União Brasil) para a área da saúde durante a campanha eleitoral.

    Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, o psolista afirmou que o programa representa uma transferência de recursos públicos para a iniciativa privada. A proposta de ACM Neto prevê que o Estado possa contratar consultas, exames, tratamentos e cirurgias em unidades privadas ou filantrópicas quando a rede pública não conseguir realizar o atendimento dentro de um prazo determinado.

    “O Pix Saúde que o ACM promete nada mais é do que transferência de recursos públicos para a iniciativa privada”, afirmou Mansur.

    O candidato defendeu que o poder público priorize investimentos na ampliação da própria rede de atendimento e citou Salvador ao questionar a contratação de serviços privados.

    Ronaldo Mansur compara proposta ao Pé na Escola

    “Ao invés da Prefeitura de Salvador construir hospitais públicos municipais, eles prometem entregar recursos públicos para a iniciativa privada”, disse.

    Mansur afirmou ainda que uma lógica semelhante já foi utilizada durante a gestão de ACM Neto à frente da Prefeitura de Salvador e relacionou o Pix Saúde ao Pé na Escola.

    Criado em 2018, durante a administração de ACM Neto, o Pé na Escola permite que a Prefeitura custeie vagas em instituições privadas de educação infantil para crianças que não conseguiram matrícula na rede pública ou conveniada.

    “Assim como o Pix na Saúde, o programa Pé na Escola, do prefeito Bruno Reis, é transferência de recursos da educação para a iniciativa privada”, declarou Mansur.

    Atualmente mantido pela gestão de Bruno Reis, o programa é alvo de uma investigação do Ministério Público Federal sobre possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos federais. Em junho, no entanto, o próprio MPF informou que a apuração ainda estava em andamento e que não era possível concluir, naquele momento, se houve irregularidades.

    Candidato cita investigação sobre CNPJs

    Durante a entrevista, Mansur também mencionou suspeitas relacionadas à abertura de empresas para receber recursos destinados ao programa.

    “Foram dezenas e dezenas de novos CNPJs para receberem recursos da educação para a iniciativa privada”, afirmou.

    O candidato não apresentou, durante a entrevista, documentos ou números específicos que comprovassem a quantidade citada. A investigação do MPF segue em andamento e, até o momento, não há conclusão oficial sobre eventuais irregularidades no Pé na Escola.

    Ao comparar os dois programas, Mansur subiu o tom e afirmou acreditar que o Pix Saúde poderá provocar problemas semelhantes no futuro.

    “E o Pix da Saúde é mais isso, é mais um escândalo futuro que irá acontecer”, concluiu.

    O Pix Saúde consta no plano de governo de ACM Neto e prevê implantação gradual, começando por áreas com maiores filas documentadas, como cirurgias eletivas, oncologia ambulatorial e ortopedia. O documento estabelece ainda auditoria dos serviços e divulgação dos contratos, valores e instituições credenciadas.