Membro da Bamor é condenado por atirar em integrante da TUI

    Crime aconteceu em meio à rivalidade entre organizadas de Bahia e Vitória, segundo denúncia do MP-BA

    Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

    Um integrante da Bamor, principal organizada do Bahia, foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão por tentar matar a tiros um membro da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI), ligada ao Vitória. O crime aconteceu em novembro de 2018, no bairro da Calçada, em Salvador.

    Daniel Sena Duarte foi condenado pelo Tribunal do Júri da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe contra Iuri Campos Freitas Souza. A sentença foi publicada no último dia 17 de agosto.

    Além da pena de reclusão, Daniel ficará proibido de frequentar estádios em dias de partidas de Bahia e Vitória. A restrição também alcança locais públicos onde os jogos dos dois clubes sejam transmitidos e pontos de concentração das respectivas torcidas.

    A condenação atende à denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que apontou a rivalidade entre as torcidas organizadas como contexto para o ataque.

    Ataque aconteceu antes de um Ba-Vi

    Segundo a denúncia, o crime aconteceu em 11 de novembro de 2018, na Rua Nilo Peçanha, no bairro da Calçada.

    Daniel seguia em um veículo em direção à sede da Bamor, onde acompanharia o clássico entre Bahia e Vitória. Durante o trajeto, o grupo encontrou um carro ocupado pela vítima, que vestia uma camisa da TUI.

    De acordo com as investigações, o veículo de Iuri foi interceptado pelo automóvel onde estava Daniel. O condenado teria descido do carro e efetuado dois disparos de arma de fogo contra a vítima.

    O Tribunal do Júri reconheceu a tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe. A sentença destacou que o ataque aconteceu em um contexto de rivalidade entre as duas torcidas organizadas.

    Outros quatro homens também foram julgados por suposta participação no crime. Adelmare Santana dos Santos, Talisson de Souza Brito, Iranilson Gomes dos Santos e Vitor Reis Dantas foram absolvidos pelos jurados.

    O Ministério Público recorreu especificamente da absolvição de Adelmare. O órgão sustenta que ele conduzia o veículo no qual Daniel estava e, por isso, teria contribuído para a ação criminosa.

    Foto: Maurícia da Matta / EC Vitória

    Crime ocorreu no ano do “Ba-Vi da Paz”

    O ataque aconteceu no mesmo ano em que Bahia e Vitória protagonizaram um dos clássicos mais conturbados da história recente da rivalidade.

    Em 18 de fevereiro de 2018, os clubes se enfrentaram no Barradão pelo Campeonato Baiano em uma partida que havia sido apresentada como “Ba-Vi da Paz”. O confronto marcava o retorno da torcida mista ao clássico e teve, antes de a bola rolar, jogadores das duas equipes abraçados no centro do campo durante a execução do hino.

    O clima mudou completamente durante a partida. O Vitória abriu o placar com Denílson, ainda no primeiro tempo.

    Na etapa final, Vina empatou de pênalti e comemorou diante da torcida rubro-negra com o gesto que ficou conhecido como “joelho, joelho e créu”. A celebração foi seguida por uma confusão generalizada entre os jogadores.

    O clássico terminou com nove expulsões, sendo cinco do Vitória e quatro do Bahia. Com o Leão da Barra sem o número mínimo necessário de atletas, a partida foi encerrada aos 34 minutos do segundo tempo, quando estava empatada em 1 a 1.

    Posteriormente, o Bahia recebeu a vitória por W.O., com placar oficial de 3 a 0. Aquele também foi o último Ba-Vi disputado com as duas torcidas nas arquibancadas.

    Violência voltou a marcar dia de clássico em 2026

    A condenação pelo crime ocorrido em 2018 foi divulgada poucos dias depois de um domingo marcado por novos episódios de violência em Salvador no dia do clássico entre Bahia e Vitória. Dois integrantes da Bamor foram mortos em diferentes ocorrências no último domingo (23).

    José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, morreu após ser atacado a facadas na região da Avenida 29 de Março. Seis investigados pelo homicídio e pelas agressões registradas na ocorrência tiveram as prisões em flagrante convertidas em preventivas pela Justiça.

    Segundo elementos da investigação da Polícia Civil, dezenas de integrantes da TUI teriam participado da ação. Os suspeitos teriam utilizado veículos para interceptar torcedores rivais antes de cercar e atacar as vítimas.

    As investigações apontam o uso de facas, barras de ferro, pedaços de madeira, socos-ingleses, pedras e artefatos explosivos improvisados.

    No mesmo dia, Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, foi morto a tiros no bairro de Castelo Branco. O caso também é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

    Os acontecimentos de 2026 são investigados separadamente e não possuem relação estabelecida com o crime de 2018 que resultou na condenação de Daniel Sena Duarte.