O presidente estadual do PL na Bahia e candidato ao Senado, João Roma, minimizou nesta quinta-feira (27) a ausência de uma oposição mais contundente de ACM Neto (União Brasil) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista ao Politiquestion, Roma afirmou que o candidato ao governo baiano mantém uma posição firme contra o petista e disse que alianças eleitorais podem reunir grupos com diferentes posições sobre a disputa presidencial.
“Olha, mas eu acho que ele faz, sim, uma oposição firme, tanto disso que ele recebe apoio de todos, mas não recebe apoio do Lula. Pelo contrário, o Lula veio aqui e até buscou acirrar, exceto a última vez”, afirmou.
Roma argumentou que parte dos eleitores que votaram simultaneamente em Lula para presidente e Neto para governador na eleição anterior estaria mais alinhada ao ex-prefeito de Salvador do que ao petista.
“Até porque, dentro desse grupamento de votos, que na última eleição representou cerca de 20% dos eleitores da Bahia que votaram em Lula e Neto, matematicamente, na minha visão, esses eleitores são muito mais eleitores de ACM Neto do que eleitores de Lula. Até porque, se eles fossem mais Lula, eles iriam ter votado em Jerônimo, e não em ACM Neto.”
Alianças acima da disputa presidencial
O presidente do PL baiano afirmou que diferentes pré-candidatos à Presidência apoiados por setores da direita fazem parte de um mesmo campo político na eleição estadual.
“O que observa-se hoje é que todas as candidaturas, com exceção do 13, torcem para que ACM Neto seja o próximo governador da Bahia”, disse Roma, referindo-se ao número eleitoral de Lula.
Ele citou os governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como nomes que integram esse campo.
“Você tem a candidatura de Zema, você tem a candidatura de Caiado, você tem a candidatura de Flávio Bolsonaro, todos agregados no projeto comum, neste mesmo palanque que eu faço parte.”
Roma também destacou que recebe apoio de outros partidos em sua candidatura ao Senado e afirmou que alianças não pressupõem concordância integral entre os integrantes.
“Então, uma coligação faz parte de alianças, e a gente não faz aliança simplesmente aceitando tudo um do outro, a gente faz buscando convergências e buscando fazer construção dentro do que é mais palatável e que é prioritário naquele momento.”
Neto apoia Caiado; Roma, Flávio
Questionado sobre a decisão de ACM Neto de não declarar apoio a um candidato à Presidência do campo bolsonarista e sobre os efeitos dessa posição para a eleição estadual, Roma afirmou que o ex-prefeito defende o nome de Ronaldo Caiado neste primeiro turno.
“Olha, ontem mesmo teve um grande ato público lá em Itabuna. ACM Neto apresentou as razões porque ele defende o nome de Ronaldo Caiado, ele tem uma relação pessoal com o Ronaldo Caiado, Caiado a vida inteira foi do mesmo partido que ele, recentemente passou agora para o PSD, que é aqui na Bahia, está do outro lado, então ele defende, neste primeiro turno, o nome de Caiado.”
Roma, por sua vez, reafirmou seu apoio a Flávio Bolsonaro e disse que a divergência sobre a eleição presidencial é compatível com a composição da chapa estadual.
“Mas ontem mesmo, com a Seminéptica ao meu lado, com o Angelo Coronel, com o Zé Cocá, eu defendi o nome de Flávio, 22, Presidente da República.”
“Então eu repito, dentro de uma coligação você tem muitas características dentro desse grupamento, temos um foco crucial”, afirmou.
Estratégias diferentes no primeiro turno
Roma disse ainda que a estratégia eleitoral pode ser diferente nas disputas nacional e estadual. Segundo ele, a eleição presidencial tende a ser decidida em segundo turno, enquanto a disputa pelo governo da Bahia tem possibilidade de ser encerrada já na primeira etapa.
“Eleição presidencial tem uma tendência de se resolver no segundo turno e a eleição no estado da Bahia tem uma tendência de se resolver no primeiro turno”, afirmou.
Para Roma, a ausência de sua candidatura na disputa pelo governo estadual aumenta a possibilidade de uma definição antecipada.
“Então hoje você observa que teremos uma eleição, que a tendência matemática é que seja resolvida aqui no primeiro turno”, concluiu.

