‘Não seja injusto com a Bahia’, diz Lula sobre segurança

    Lula afirmou que nenhum governador conseguiu solucionar o problema da criminalidade em seus respectivos estados

    Foto: Reprodução/TV Globo

    A segurança pública da Bahia, estado governado pelo PT há 20 anos, foi tema da entrevista do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta quinta-feira (27).

    Durante a sabatina, Lula afirmou que nenhum governador conseguiu solucionar o problema da criminalidade em seus respectivos estados e pediu que a Bahia não fosse tratada de forma diferente.

    “Não seja injusto com a Bahia”, rebateu Lula. “Nenhum governador do Brasil, nenhum, conseguiu resolver o problema de segurança pública. Nenhum conseguiu segurar [o caso]“, completou.

    Questionado pelo jornalista César Tralli, Lula afirmou que, se os dados fossem analisados do “Oiapoque ao Chuí”, seria possível confirmar a declaração. O presidente citou como exemplo o ex-governador de São Paulo Paulo Maluf, conhecido pelo discurso de endurecimento contra a criminalidade e pelo chavão “bandido bom é bandido morto”.

    “Você era menino, Tralli, e cansou de ver as campanhas do Maluf em São Paulo, dizendo que ‘bandido bom era bandido morto’, cansou de ver carreta passeando com o artista fantasiado de prisioneiro. Ninguém consegue resolver. Só vai conseguir se a gente tiver muito investimento em inteligência. É isso que eu quero fazer. O que eu quero fazer? A prova é a PEC da Segurança, que nós vamos criar o Ministério da Segurança Pública e vamos definir qual é o papel da Polícia Federal (PF) nos estados, porque a PF não pode investigar nos estados o que seja crime federal”, explicou.

    Veja a declaração do presidente:

     

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    Lula cita caso Marielle Franco

    Lula também mencionou o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, executados dentro de um carro no Rio de Janeiro, em 2018. Segundo o presidente, o caso só avançou após a atuação da Polícia Federal.

    “Nem sempre os governadores pedem. Se não fosse a PF, não pegava o assassino da Marielle aqui, e o governador não queria que a gente viesse investigar. Então, o que eu quero? Nós fizemos agora, aprovamos a Lei Antifacção. Estamos trabalhando aqui a questão do combate ao crime organizado”, disse.

    O presidente afirmou ainda que pretende apresentar “uma proposta por escrito” ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso o governo norte-americano “queira trabalhar junto com o Brasil para combater o lado do tráfico organizado”. “O Brasil está pronto e preparado”, afirmou.

    “Montamos uma parte da PF em Manaus para tomar conta da fronteira. Um representante de policiais de cada país da América do Sul para que a gente possa enfrentar, porque qual é o meu desejo? Meu desejo é recuperar o território do povo. Aquela rua é do povo do Rio, não é do bandido. A escola é do povo, não é do bandido”, completou.

    Lula cita Operação Carbono Oculto

    O petista também citou a Operação Carbono Oculto, que investigou um esquema de fraudes no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado. Segundo Lula, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 52 bilhões.

    “Nós temos que enfrentar isso e enfrentar uma coisa mais grave, que é o andar de cima. Nós fizemos a Operação Carbono Oculto, que foi a maior operação já feita na história desse país. Nós estamos preparados para muitas operações. O que eu quero [com o reforço] é que prefeituras importantes, como o Rio de Janeiro, São Paulo (…) se a gente tiver uma combinação de criar alguma espécie de suporte da segurança pública e a gente trabalhar conjuntamente, eu posso te garantir que estamos prontos para ganhar”, explicou.

    Lula defende PEC da Segurança

    Ao final, Lula ressaltou conversas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a proposta de emenda à Constituição que trata da segurança pública.

    “Vamos aprovar a PEC [da Segurança], porque, aprovando a PEC, eu crio o Ministério na semana seguinte. Não é que ele vai funcionar de imediato. Aí eu vou ter que convencer o Dario Durigan (ministro da Fazenda), porque tem o programa, tem que colocar recurso”, finalizou.