Nem tudo que empolga os torcedores do Bahia agrada a Rogério Ceni. Apesar do triunfo do Esquadrão por 3 a 2 sobre o Internacional, neste domingo (30), na Arena Fonte Nova, o treinador identificou um comportamento que considera prejudicial à equipe: a tentativa de acelerar excessivamente o jogo para corresponder à expectativa da torcida.
Na avaliação de Ceni, o Bahia entrou em uma dinâmica de muitas transições e passou a tomar decisões que aumentaram a exposição diante do adversário. O técnico reconheceu que partidas abertas costumam envolver mais o torcedor, mas deixou claro que esse cenário não favorece o Tricolor.
“Acho que ficamos muito ansiosos, o torcedor gosta desse jogo de transição, mas ele não nos faz bem. Às vezes a gente não consegue, jogando em casa, fazer isso o tempo todo. Eu noto que os jogadores se sentem ansiosos aqui, eles não conseguem se soltar. Eles querem agradar ao torcedor e deixam de fazer a jogada certa para acelerar”, relatou.
Gol do Inter como exemplo
O treinador encontrou no segundo gol do Internacional um retrato do problema apontado durante a entrevista coletiva. O lance nasceu quando o Bahia estava no campo ofensivo e poderia ter escolhido outra maneira de desenvolver a jogada.
“O lance do segundo gol do Inter começa com um jogada nossa lá no ataque. A gente tinha quatro jogadores na segunda trave, mas a escolha é por fazer uma tabela. Dali o Inter sofre uma falta, cobra rápido e faz o gol. Começa com uma escolha errada”, pontuou o treinador.
“O Inter teve boas ações, é um time que constrói bem, ataca muito rápido. Acho que nossa ansiedade para fazer os gols atrapalha. A gente acaba indo com muita gente ao ataque e cede espaços. Fizemos três gols e temos que destacar isso, a entrega também não faltou, mas hoje não conseguimos pressionar também bem quanto no jogo contra o Vitória. Hoje o adversário tinha mais velocidade para a transição, então nós sofremos um pouco mais”, acrescentou.
Força mental para buscar a virada
As críticas às escolhas da equipe não impediram Ceni de valorizar a reação construída ainda no primeiro tempo. O Bahia saiu atrás aos 15 minutos, com gol de Alan Patrick, mas respondeu com dois gols de Erick Pulga e outro de Erick antes do intervalo.
“A gente construiu o 3 a 1 e teve força mental para virar o jogo saindo atrás com 16 minutos. Em 30 minutos a gente virou um jogo para 3 a 1. Isso demonstra força mental. Futebol é isso, são chances para você e contra. Acho que perdemos mais chances que o Inter”, afirmou.
Ceni também destacou a intensidade do trio formado por Kike Olivera, Erick Pulga e Alejo Véliz. Pulga foi um dos protagonistas da virada ao balançar as redes duas vezes.
“Eles são os mais intensos. Os três da frente são os mais intensos. Kike jogou mais contra o Vitória do que hoje, mas é um jogador que pressiona o goleiro o tempo todo. Hoje errou alguns cruzamentos, mas é um cara que se entrega. Então, é muito importante a presença deles. Pulga, Kike e Alejo estão em alta rotação. Precisamos fazer Ademir recuperar isso agora que está voltando de lesão e fazer Ruan Pablo entender”, avaliou.
Bahia encosta no G-4
O triunfo levou o Bahia aos 40 pontos e à quinta colocação do Campeonato Brasileiro. O Esquadrão ultrapassou o Cruzeiro e ficou a dois pontos do Fluminense, quarto colocado. O resultado também marcou o 200º jogo de Rogério Ceni no comando do clube baiano.
O Esquadrão de Aço volta a campo no próximo sábado (5), às 16h, quando visita o Red Bull Bragantino, no Estádio Cícero de Souza Marques, pela 26ª rodada da Série A.

