Hospital é investigado por suposta dopagem e negligência em Salvador

    Apurações ocorrem após um interno ter sido encontrado desacordado dentro da unidade; MP-BA apura se houve violência e acionou o Estado

    Foto: Reprodução/Google Street View

    O Ministério Público da Bahia (MP-BA), através da 4ª Promotoria de Justiça de Execução Penal de Salvador, investiga um caso grave de supostas violações de direitos humanos e assistenciais contra um interno custodiado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP). A apuração visa esclarecer a ocorrência de possível dopagem, violência ou negligência médica no estabelecimento estadual. A portaria foi formalizada pela promotora de Justiça Andréa Ariadna Santos.

    Veja também: Unime entra na mira do MP após denúncia de precarização em campus

    A apuração teve início após o repasse de informações pelo Centro de Apoio Operacional de Segurança Pública e Defesa Social (CEOSP). O relatório detalhou que um paciente foi localizado inconsciente no banheiro da Ala A do hospital psiquiátrico em 21 de dezembro de 2025. Após os primeiros socorros prestados pela equipe local, o interno foi transferido de urgência para o Hospital Geral Ernesto Simões Filho, onde deu entrada com um quadro infeccioso grave de pneumonia lobar, acompanhado de sepse e sinais clínicos de broncoaspiração.

    Apuração policial

    A promotoria abriu frentes de apuração com os órgãos estaduais de saúde e segurança para verificar se houve ministração inadequada de medicação psicotrópica ou agressão. A 11ª Delegacia Territorial registrou boletim de ocorrência sobre o fato, e o Ministério Público requisitou ao Departamento de Polícia Metropolitana (Depom) informações sobre a abertura do inquérito policial.

    Paralelamente, o órgão cobrou da Direção de Gestão do Cuidado da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) a cópia do prontuário hospitalar completo do paciente, acompanhada dos resultados de exames toxicológicos e laboratoriais para checar eventual intoxicação.

    A direção do HCTP também foi notificada a prestar esclarecimentos sobre os motivos de não ter instaurado sindicância administrativa imediata após o incidente. O Ministério Público aguarda a remessa das respostas para deliberar sobre as próximas medidas.

    O bahia.ba enviou uma solicitação de esclarecimentos à Sesab, com o intuito de ter um posicionamento oficial da pasta sobre o episódio narrado pela procuradoria. De acordo com a nota enviada à reportagem, apesar de tratar-se de uma unidade de saúde, o HCTP é gerido pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP). Procurada, a SEAP não retornou até a publicação desta nota.