Fã de Anitta rebate críticas por look de Filhos de Gandhy

    Jordan Veloso foi elogiado pela cantora, mas virou alvo de ataques nas redes após show em Salvador

    Foto: Arquivo Pessoal

    O jornalista Jordan Veloso, de 29 anos, não imaginava que uma escolha feita para representar sua relação com Salvador terminaria em uma enxurrada de críticas nas redes sociais. Natural da capital baiana, ele foi à passagem da Equilibrivm Tour, de Anitta, usando a tradicional indumentária branca inspirada no Afoxé Filhos de Gandhy.

    O visual chamou atenção ainda durante o show. Do palco, Anitta percebeu Jordan no meio do público e comentou: “Ele veio vestidinho de Gandhy total, né? Babado, adorei”. “Eu sou babado”, respondeu o fã. A cantora concordou: “É isso aí!”. Veja o momento:

    A repercussão fora do evento, no entanto, tomou outro caminho. Nas redes sociais, Jordan virou alvo de comentários que classificaram o look como “desnecessário”, “sem noção” e uma tentativa de chamar atenção. Outros usuários chegaram a usar termos pejorativos para se referir ao jornalista.

    Ao bahia.ba, Jordan explicou que a escolha não foi pensada simplesmente como uma fantasia.

    “A intenção não era exatamente usar como fantasia. Para mim, vestir o Filhos de Gandhy naquele momento tinha muito mais a ver com pertencimento e com levar para o show uma parte da minha própria vivência em Salvador”, afirmou.

    ‘Era uma forma de afirmar de onde eu venho’

    Segundo Jordan, a proposta da própria Equilibrivm Tour também influenciou a escolha. O espetáculo de Anitta reúne referências culturais, espirituais e religiosas brasileiras, elementos que apareceram tanto no palco quanto entre o público.

    Em Salvador, inclusive, não faltaram fãs que aproveitaram a proposta para construir produções inspiradas em diferentes referências. Durante o evento, o bahia.ba observou pessoas com visuais que remetiam a Pombagira, Exu, Zé Pilintra e Boiadeiro, além de uma forte presença de peças feitas com palha.

    Para Jordan, a roupa escolhida por ele seguia justamente essa lógica.

    “Como Equilibrivm acabou trazendo vários elementos culturais, simbólicos e até religiosos que conversam com coisas que fazem parte da minha realidade, achei que fazia sentido estar ali representando algo que também me atravessa”, explicou.

    Jordan no Afoxé Filhos de Gandhy (Foto: Arquivo Pessoal)

    “Era uma forma de afirmar de onde eu venho e de reconhecer Salvador dentro de uma turnê que, para mim, falou tanto sobre identidade, existência e pertencimento.”

    Críticas ultrapassaram o figurino

    O jornalista conta que inicialmente recebeu a repercussão com surpresa. Para ele, existia uma referência clara a uma das manifestações mais tradicionais da cultura baiana. “Não imaginava [que pudesse soar negativo]. Principalmente porque não era uma roupa aleatória ou uma fantasia criada só para chamar atenção. Existia uma referência muito clara ao Filhos de Gandhy, que é um dos símbolos mais tradicionais e importantes do Carnaval de Salvador.”

    Jordan também lembra que a indumentária do afoxé não aparece apenas durante o Carnaval. Ela está presente em diferentes momentos do calendário cultural e religioso da Bahia.

    “O Filhos de Gandhy não está restrito aos dias de Carnaval. A presença do bloco e da sua indumentária acompanha várias festas populares da Bahia ao longo do verão, como a Lavagem do Bonfim, a Lavagem de Itapuã, Santa Bárbara, além de festas e eventos em formato de micareta”, pontuou.

    Apesar de entender que críticas e brincadeiras fazem parte das redes sociais, Jordan considera que parte dos comentários ultrapassou a discussão sobre sua roupa.

    “Uma coisa é alguém não gostar da roupa, achar exagerada ou fazer uma piada sobre o visual. Outra é usar aquilo como justificativa para atacar minha forma de me expressar, minha sexualidade ou tentar me constranger pela maneira como escolhi viver o show.”

    Para ele, a intensidade das reações também provoca uma discussão sobre quem tem permissão, aos olhos do público, para ocupar determinados símbolos e espaços.

    “Talvez o que mais me chamou atenção tenha sido perceber como uma expressão cultural, quando aparece atravessada por um homem gay e por uma forma mais livre de se apresentar, pode despertar um tipo de julgamento que vai muito além de gosto pessoal.”

    Mesmo após a repercussão, Jordan não pensa duas vezes quando questionado se repetiria a escolha.

    “Faria de novo, com certeza.”