Jerônimo defende fim da escala 6×1: ‘Não é de esquerda’

    Governador afirmou que redução da jornada deve ser tratada como uma pauta de direitos trabalhistas e defendeu transição para o novo modelo

    Foto: Pevê Araújo/bahia.ba

    O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu o fim da escala 6×1 e a adoção de uma jornada que garanta mais tempo de descanso aos trabalhadores. Durante conversa com a imprensa, nesta terça-feira (1º), o governador afirmou que a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre esquerda e direita.

    “Eu acabei de falar aqui agora com prefeitos e prefeitas sobre a escala 5×2. Ao meu ver, se trata de uma agenda político-partidária… não é de esquerda ou de direita. O trabalhador é dono da sua força de trabalho”, afirmou.

    Jerônimo também rebateu argumentos de que mudanças nas regras trabalhistas poderiam provocar desemprego ou desequilíbrio econômico. Ele comparou o debate atual às discussões ocorridas durante a ampliação dos direitos trabalhistas no país.

    “E no passado, quando se foi trazer, por exemplo, o tema básico de ter a carteira assinada […] foi um ‘deus nos acuda’: vai ter desemprego, vai ter inflação, vai existir um caos. E depois os empreendedores viram que as coisas se ajustavam”, declarou.

    Para o governador, a ampliação do período de descanso pode melhorar a qualidade de vida e também refletir na produtividade dos trabalhadores. Jerônimo defendeu que uma eventual mudança seja implementada de forma gradual.

    “Não é para começar a valer hoje nem amanhã, tem uma transição. E eu entendo que o trabalhador, quando ele tem, a trabalhadora, quando ela tem, ao invés de um dia, dois dias de descanso, cuidar da saúde, cuidar da família, ele produz mais”, disse.

    Jerônimo também afirmou que o trabalhador deve ter liberdade para decidir como utilizar os dias de folga.

    “São dois dias dele, ele faz o que ele entender. É um direito isso. Eu espero que isso não seja pautado como uma frente de esquerda ou da direita. Eu espero que isso seja uma pauta que não é lulista, não é bolsonarista”, afirmou.

    Ao final, o governador pediu equilíbrio do Congresso Nacional na discussão e defendeu que a eventual mudança seja construída a partir do diálogo.

    “Eu espero que o Congresso seja sensato em poder aprofundar, dialogar e fazer uma transição justa. É isso que nós queremos”, concluiu.