Globo demite diretor após críticas por estratégia na Copa

    Manuel Belmar foi apontado como um dos responsáveis pela decisão que abriu espaço para CazéTV e SBT na transmissão do Mundial

    Foto: Fábio Rocha/Globo

    A Globo demitiu Manuel Belmar, diretor financeiro e de produtos digitais, em meio a críticas internas sobre a estratégia adotada pela emissora para a transmissão da Copa do Mundo de 2026. A informação foi divulgada pela coluna GENTE, da revista Veja, na última quinta-feira (3).

    Segundo a publicação, o executivo foi considerado um dos responsáveis pela decisão de abrir mão da exclusividade do Mundial, permitindo o avanço de concorrentes como a CazéTV e o SBT. A mudança rompeu com o modelo tradicional da Globo, que durante décadas concentrou a transmissão da competição no Brasil.

    A emissora, porém, negou que a saída tenha relação com a Copa. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (4), a Globo afirmou que a mudança faz parte de uma reestruturação organizacional e apresentou novas lideranças para áreas estratégicas.

    Executivo estava na Globo desde 2003

    Manuel Belmar fazia parte do grupo desde 2003. Ao longo da carreira, teve passagens pela Infoglobo e pela Globosat antes de assumir posições de liderança na estrutura financeira da empresa. O executivo também comandava setores como produtos digitais, jurídico e infraestrutura. Sua atuação incluía serviços e plataformas do grupo, como o Globoplay e os canais pagos.

    A saída ocorre após uma Copa do Mundo com um modelo de transmissão diferente do adotado pela Globo em edições anteriores. A emissora não ficou com todos os jogos do torneio, enquanto a CazéTV passou a transmitir a competição gratuitamente pelo YouTube.

    O SBT também voltou a exibir o Mundial após 28 anos. A emissora paulista transmitiu 32 partidas em parceria com a N Sports, incluindo jogos da Seleção Brasileira.

    Globo passa por reestruturação

    A reformulação anunciada pela Globo também envolve outros dois executivos: Manuel Falcão, ligado à área de marca e comunicação, e Pedro Garcia, responsável pela aquisição de direitos.

    A empresa anunciou Cristovam Ferrara para a diretoria de Marca e Comunicação, Fernando Ramos para Distribuição e Direitos e Júlia Rueff para a área de Plataformas Digitais.

    Apesar da negativa oficial sobre a relação entre as demissões e a Copa, a estratégia de direitos do Mundial aparece no centro das avaliações internas divulgadas pela imprensa. A decisão de não adquirir a totalidade dos jogos foi apontada como um erro por setores da companhia, diante do crescimento das plataformas digitais e da concorrência de novos modelos de transmissão.