A Polícia Federal (PF) reuniu mensagens trocadas entre o empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e o então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, que mencionam o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto e o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, na articulação para cargos da administração da capital mineira.
As informações são da revista Veja, que teve acesso ao conteúdo das mensagens. O material integra a investigação da Operação Overclean, que teve uma nova fase deflagrada na quinta-feira (17) para apurar suspeitas de irregularidades em contratos da Prefeitura de Belo Horizonte.
O diálogo ocorreu em dezembro de 2024, depois de Fuad ser reeleito prefeito. Ele morreu meses depois, e o vice, Álvaro Damião, assumiu o comando do município.
Mensagens reveladas pela PF
Na conversa, Fuad encaminhou a Moura uma fotografia de uma anotação com nomes de secretarias municipais, entre elas Combate à Fome e Mobilidade Urbana, indicando duas subsecretarias em cada pasta. “Escolhe”, disse o então prefeito.
Moura respondeu que precisaria consultar integrantes do União Brasil antes de apresentar uma definição. “Vou conversar com Rueda e Neto e falo com o senhor”.
Na sequência, o empresário apresentou uma possibilidade ao prefeito: “Pode ser as duas mais educação e abrindo mão do governo?”.
Educação já era comandada por ex-secretário de Salvador
Segundo a reportagem da Veja, não há registro da resposta de Fuad à mensagem. A Secretaria de Educação de Belo Horizonte, porém, já era comandada desde abril de 2024 por Bruno Barral, que havia ocupado a mesma função durante a gestão de ACM Neto em Salvador.
Barral foi afastado do cargo em abril de 2025 por determinação do ministro Nunes Marques, do STF, no âmbito da Operação Overclean. Na nova fase da investigação, deflagrada na quinta-feira, ele voltou a ser alvo de mandado de busca e apreensão.
A atual etapa da operação apura suspeitas relacionadas a contratos da Secretaria de Educação de Belo Horizonte. Segundo a PF, os investigadores identificaram indícios de direcionamento de procedimentos para o fornecimento de serviços e materiais didáticos. Os contratos analisados somam mais de R$ 80 milhões.
O que diz ACM Neto
Em nota divulgada após a nova fase da operação, ACM Neto negou envolvimento com as irregularidades investigadas e afirmou que as informações divulgadas fazem parte de uma tentativa de interferência no processo eleitoral da Bahia.
“Fica cada vez mais clara a tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas, através de vazamentos seletivos, que buscam associar indevidamente meu nome a situações que nunca tive envolvimento.
Na semana passada, convoquei uma coletiva de imprensa para denunciar esse tipo de ataque à nossa candidatura. Agora, faltando apenas duas semanas para a eleição, isso se mostra ainda mais evidente. Trata-se de uma nova tentativa de influenciar na Eleição da Bahia.
A Operação Overclean começou em dezembro de 2024 e, nesses quase dois anos, nunca houve o apontamento de qualquer tipo de conduta que me relacionasse à prática de ato ilícito. E não houve justamente porque não tenho nenhuma relação com qualquer dos fatos que estão sendo investigados.
A completa e total inconsistência dessas insinuações foi confirmada pela decisão do STF, que indeferiu o pedido formulado na representação, conforme divulgado pela imprensa.
Temos a chance de, em 17 dias, vencer um grupo político que controla o governo do estado há 20 anos e que já demonstrou que é capaz de fazer qualquer coisa para se manter no poder, tentando inclusive usar as estruturas de Estado para interferir no resultado da eleição. Nada disso vai me abalar e nem me desviar do meu propósito de servir ao povo da Bahia.
Seguirei rodando o Estado, divulgando minhas propostas de governo e dialogando com a população, até o dia 4 de outubro, quando o povo terá oportunidade de dar uma resposta nas urnas.”
Na decisão que autorizou a nova fase da Overclean, o ministro Nunes Marques negou um pedido da Polícia Federal para realizar buscas contra ACM Neto. A investigação da PF continua em relação aos demais alvos da operação.

