Abin alerta sobre risco de interferência dos EUA nas eleições

    Relatório classifica o cenário de pressão dos EUA como de “nível de criticidade”

    Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

    A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviou ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um relatório que alerta para o aumento da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil, que aumenta o risco de  interferência dos EUA nas eleições.

    O documento, enviado no fim de agosto, classifica o cenário como de “nível de criticidade”. Segundo o relatório, documentos norte-americanos analisados pela agência indicam que um dos objetivos do governo de Donald Trump é ampliar a influência dos EUA na América Latina e reduzir a presença de países considerados rivais.

    A Abin descreve essa estratégia como voltada à “redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina e de negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região, em favor de seu controle, direto ou indireto, pelo governo dos EUA ou pelo capital privado estadunidense”.

    Pressão envolve sanções e relações econômicas

    Ainda de acordo com o relatório divulgado pela Folha de S.Paulo, a Abin avalia que pode haver uma escalada de pressão sobre o Brasil. Entre as medidas citadas estão a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas, a aplicação de tarifas sobre produtos nacionais e sanções contra cidadãos e empresas brasileiras.

    Segundo a agência, essas ações podem afetar “relações financeiras, reputação empresarial, acesso ao dólar, operações internacionais e exposição de terceiros a riscos de sanções secundárias”. Ainda nesta semana o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a defender a soberania do Brasil.