Lula na ONU: ‘Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas’

    Discurso reforça defesa da soberania nacional em meio a tensões com o governo norte-americano

    Foto: Ricardo Stuckert

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22), que o Brasil não precisa de “porta-aviões vigiando as nossas águas”.

    “Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos”, disse Lula.

    O mandatário brasileiro falou antes do discurso do presidente norte-americano Donald Trump. Lula reforçou que entregou um memorando de cooperação de combate ao crime organizado antes da classificação das facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas por parte dos EUA.

    Na avaliação de Lula, o Brasil está trabalhando para combater o crime organizado. O petista citou a Lei Antifacção e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.

    “Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime. A Lei Antifacção, que acabamos de aprovar, impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo. Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção é implacável, doa a quem doer”, reforçou.

    Lula defende soberania brasileira

    Disputando a reeleição, Lula destacou a importância de defender a soberania do Brasil diante do tensionamento causado pelo governo Trump.

    Os mandatários se encontraram no ano passado nos bastidores da ONU. Na ocasião, Trump afirmou que simpatizou com Lula e que houve “química” entre os dois.