A redução do limite de estrangeiros no futebol brasileiro pode ter um impacto diferente sobre alguns jogadores de Bahia e Vitória nos próximos anos. Michel Araujo e Acevedo, pelo Tricolor, além de Brítez e Martínez, pelo Rubro-Negro, aparecem entre os atletas que, pelo período no país, podem preencher o requisito de residência previsto para solicitar a naturalização brasileira.
A possibilidade ganha relevância depois que os clubes aprovaram, em reunião com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a diminuição gradual da quantidade de estrangeiros permitidos por partida. Atualmente, até nove podem ser relacionados, número que cairá para oito em 2027 e seguirá sendo reduzido até chegar a cinco em 2030.
Uma eventual naturalização alteraria a situação do jogador para efeito da nacionalidade, mas o processo não acontece automaticamente pelo simples fato de o atleta atuar há vários anos no país.
É necessário cumprir os requisitos legais, solicitar a nacionalidade brasileira e, depois da conclusão do procedimento, apresentar a documentação necessária para atualização do registro junto à CBF.
Outros nomes que atuam na Série A aparecem em situação semelhante. Veja os jogadores estrangeiros do futebol brasileiro que já podem solicitar a naturalização e, caso concluam o processo, deixariam de contar no limite de estrangeiros:
Atlético-MG
Alan Franco e Thiago Borbas
Bahia
Michel Araujo e Acevedo
Flamengo
Arrascaeta, Rossi, Varela e Pulgar
Fluminense
Cano, Canobbio e Soteldo
Grêmio
Vilassanti
Internacional
Mercado
Palmeiras
Gustavo Gómez, Flaco López e Piquerez
RB Bragantino
Isidro Pitta e José Hurtado
São Paulo
Arboleda e Calleri
Santos
Miguelito
Vitória
Brítez e Martínez
Casos que já possuem outra condição de nacionalidade
A situação desses jogadores é diferente da encontrada em atletas que já possuem nacionalidade brasileira ou vínculos de nacionalidade decorrentes da própria origem familiar. Nesse grupo estão jogadores que nasceram no Brasil e representam outras seleções, além de casos de dupla nacionalidade.
Jorginho, do Flamengo, por exemplo, nasceu em Imbituba, em Santa Catarina, e possui nacionalidade brasileira e italiana. Rafael Tolói, do São Paulo, nasceu em Glória d’Oeste, no Mato Grosso, e também representa a Itália.
Maurício, do Palmeiras, e Coronel, do São Paulo, são brasileiros e paraguaios, enquanto João Costa, do Cruzeiro, possui nacionalidades brasileira e portuguesa. Matheus Reis, do Fluminense, nasceu no Rio de Janeiro e também tem nacionalidade mexicana.
Outro caso é o de Eliasson, que nasceu em Varberg, na Suécia, e possui ligação com o Brasil por ser filho de mãe baiana.
Kannemann apresenta uma situação diferente. Nascido em Concepción del Uruguay, na Argentina, o zagueiro completou dez temporadas no futebol brasileiro e concluiu seu processo de naturalização em março de 2026.
Como funciona a naturalização
Pelas regras brasileiras, um estrangeiro maior de idade pode solicitar a naturalização por diferentes caminhos. Na modalidade ordinária, um dos requisitos previstos é a residência no Brasil pelo período estabelecido em lei, além da capacidade de comunicação em língua portuguesa e da ausência de condenação penal nos termos exigidos pela legislação.
O período de residência pode ser reduzido em determinadas circunstâncias previstas legalmente, como nos casos envolvendo filho brasileiro ou casamento ou união estável com brasileiro. Há ainda hipóteses específicas relacionadas à prestação de serviços relevantes ao país ou à capacidade profissional, científica ou artística.
Existe também a naturalização extraordinária, destinada a estrangeiros residentes no Brasil há mais tempo e condicionada ao cumprimento dos requisitos estabelecidos pela legislação.
Para os clubes, a questão tende a ganhar importância conforme o limite de estrangeiros for reduzido. A partir de 2027, serão oito relacionados por partida, e a quantidade diminuirá progressivamente até alcançar cinco em 2030.

