O pênalti perdido na eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 ainda acompanha Bruno Guimarães. De volta à Seleção para o início de um novo ciclo, o meio-campista admitiu nesta quarta-feira (23), em Brisbane, na Austrália, que continua sentindo o peso da cobrança desperdiçada, mas deixou claro que assumiria novamente a responsabilidade caso recebesse outra oportunidade.
Bruno foi escolhido por Carlo Ancelotti para cobrar a penalidade aos 13 minutos do primeiro tempo, quando a partida ainda estava empatada sem gols. O camisa 8 bateu, mas parou no goleiro Nyland. O Brasil acabou derrotado por 2 a 1, com dois gols de Erling Haaland na etapa final e Neymar descontando, também de pênalti, nos acréscimos.
Passado o Mundial, o jogador reconhece que ainda não conseguiu deixar completamente para trás um dos momentos mais difíceis de sua trajetória com a Seleção.
“É um sentimento muito ruim, definitivamente. Perder um pênalti faz parte do futebol, mas a gente nunca está pronto para isso acontecer. Obviamente, é uma ferida, é uma cicatriz. Está muito recente, ainda me magoa, ainda me dói muito isso ter acontecido. Mas faz parte do futebol. Que eu possa aprender com os meus erros, que é o mais importante”, afirmou.
Apesar da frustração, Bruno descartou qualquer possibilidade de evitar uma nova cobrança. Para o meio-campista, o episódio precisa servir como aprendizado, e não como motivo para fugir da responsabilidade dentro de campo.
“Que eu possa aprender com meus erros, muitas vezes você aprende com a vitória, mas normalmente a gente aprende com a derrota, com aquilo que não deu certo. Seguir a minha luta diária, dos meus sonhos… Se tiver outro pênalti e for delegado a mim eu não vou me esconder, vou bater de novo mil vezes, porque representar essa camisa representa muito pra mim, sempre foi meu maior sonho. Não foi um momento legal, sofri muito, mas é bola pra frente. Não dá pra mudar o passado e sim o futuro”, complementou.
Bruno Guimarães defende Vini Jr.
O pênalti contra a Noruega também provocou questionamentos sobre Vini Jr., que acabou criticado por não assumir a cobrança naquele momento. Bruno Guimarães explicou que a definição havia sido feita por Ancelotti antes mesmo de a Seleção entrar em campo e afirmou que ele era o primeiro nome designado para bater.
Segundo o meio-campista, a movimentação de outros jogadores com a bola antes da penalidade fazia parte de uma tentativa de confundir o goleiro adversário e não significava que Vini Jr. tivesse aberto mão da responsabilidade.
“Depois de uma eliminação, você acaba vendo muitas conspirações de coisas que não fazem o menor sentido. Sempre antes do jogo a gente tem a nossa preleção, e o professor determina quem vai bater. Eu fui o cara escolhido para bater. Ali na hora, teve jogadores que quiseram pegar a bola. Um jogador pega, passa para o outro, até para tentar enganar o goleiro. E foi isso que aconteceu, nada demais. O Vini não era. Quem tinha que bater o pênalti era eu. Eu bati o pênalti, perdi, poderia ter feito. Isso faz parte do futebol. A gente fica triste pela cobrança sobre o Vini, mas foi delegado a mim bater”, explicou.
Novo papel na Seleção
Se a última Copa deixou uma cicatriz, o início da caminhada para 2030 coloca Bruno Guimarães em uma posição diferente dentro do grupo. Convocado regularmente desde 2020 e com 48 partidas pela Seleção, o meio-campista está próximo de completar 50 jogos e agora figura entre os mais experientes à disposição de Ancelotti.
“O mais importante é passar confiança aos mais jovens, para quem está chegando pela primeira vez. Minha primeira convocação foi em 2020, desde então muita coisa aconteceu na minha vida. Acho que o mais importante quando cheguei aqui foi que todos os mais velhos me passaram confiança para que eu pudesse me sentir o mais à vontade possível para desempenhar o meu melhor futebol. Agora estou nessa missão de passar confiança para os mais jovens, para que eles possam se sentir o melhor possível”, disse.
Para Bruno, a reformulação precisa acontecer de maneira gradual, dando a Ancelotti a oportunidade de observar novos nomes sem abandonar jogadores que já fazem parte da trajetória recente da equipe.
“Acho que a renovação é sempre importante. Obviamente não dá para mudar tudo da noite pro dia, tem muitos grandes jogadores que permaneceram, outros grandes jogadores que estão vindo. É importante o professor (Ancelotti) também, nesse começo, ter um leque a mais de opções, ele descobrir outros jogadores, ver treinando, ver como é que se comporta no dia a dia”, afirmou.
O primeiro compromisso do Brasil neste novo ciclo será contra a Austrália, nesta sexta-feira (25), às 7h de Brasília, no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville. As seleções voltam a se enfrentar na terça-feira (29), no mesmo horário, em Brisbane, antes do duelo com a Índia, marcado para 3 de outubro, às 11h de Brasília, em Calcutá.

