Operação Iceberg prende 11 e mira tráfico de drogas de luxo

    Ação da Polícia Civil cumpre mandados em cinco cidades da Bahia e bloqueia até R$ 200 milhões em bens e recursos de investigados

    Foto: Ascom/PCBA

    Onze pessoas foram presas nesta quinta-feira (24) durante a Operação Iceberg, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia contra uma organização suspeita de atuar na distribuição de drogas para consumidores de alto poder aquisitivo.

    Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e realizadas duas prisões em flagrante. A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos dos investigados.

    As prisões ocorreram em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus. Um dos alvos já estava custodiado no sistema prisional de Aracaju, em Sergipe.

    Liderança movimentou R$ 9,6 milhões

    Segundo a investigação, três dos presos são apontados como integrantes da liderança do grupo. O principal alvo foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador.

    De acordo com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ele recebia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenava a distribuição para Salvador, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus.

    A apuração financeira identificou uma movimentação superior a R$ 9,6 milhões em cinco anos, distribuída em mais de 16,6 mil transações bancárias. Empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas teriam sido utilizadas para movimentar os valores.

    Drogas eram enviadas em ônibus

    Em Vitória da Conquista, um suspeito apontado como liderança regional teria recebido drogas em Salvador para distribuição no município e em cidades próximas.

    Parte dos entorpecentes, segundo a Polícia Civil, era escondida em potes de cremes estéticos e transportada em ônibus comerciais, camuflada como cosméticos.

    Entre as drogas identificadas está a chamada ICE, recebida em Salvador e posteriormente redistribuída para municípios do sudoeste baiano.

    Em Santo Antônio de Jesus, outro investigado buscava os entorpecentes na capital e abastecia a cidade e municípios da região.

    Grupo usava redes sociais para vender drogas

    A investigação apontou ainda que os suspeitos utilizavam redes sociais para negociar os entorpecentes, com pagamentos principalmente por PIX e entregas discretas.

    Segundo a Polícia Civil, entre os consumidores estavam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo. As drogas eram anunciadas com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA.

    Os investigados também mantinham, conforme a apuração, padrão de vida elevado, com imóveis de alto padrão e veículos de luxo. Empresas e contas de familiares ou terceiros teriam sido usadas para ocultar recursos.

    Carros de luxo são apreendidos

    Durante a operação, foram apreendidas porções de drogas, celulares, documentos e uma pistola. A arma foi encontrada com um médico investigado, que acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

    As medidas patrimoniais alcançaram oito veículos e uma motocicleta, incluindo modelos como Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass, Chevrolet Tracker e Honda NXR 160 Bros.

    Segundo a tabela FIPE, os veículos estão avaliados em mais de R$ 1,1 milhão.

    Investigação começou na Operação Gênesis

    A Operação Iceberg teve origem em informações obtidas durante a Operação Gênesis, também conduzida pelo DHPP.

    A análise de um perfil em rede social revelou indícios de comercialização de drogas e levou os investigadores à identificação de fornecedores, distribuidores e responsáveis pela movimentação financeira.

    A ação contou com equipes do DHPP, Departamento de Inteligência Policial (DIP), Laboratório de Lavagem de Capitais (LAB-LD), DENARC, DEPIN, CORE e Departamento de Polícia Técnica (DPT).