Fim das bets? Patrocinadora máster do Vitória emite comunicado

    Plataforma de apostas 7K Bet assinou manifesto ao lado da ANJL e do IBJR

    7K Bet estampa espaço nobre da camisa do Vitória
    Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

    A 7K Bet, patrocinadora máster do Vitória, se posicionou sobre o debate envolvendo uma possível proibição das casas de apostas no Brasil. A divulgação do comunicado ocorre em meio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que voltou a defender o fim das bets durante esta semana.

    A eventual medida teria impacto direto sobre os clubes de futebol brasileiros, que contam com empresas do setor entre suas principais fontes de receita de patrocínio. Lula citou os clubes ao defender a proibição e afirmou que as equipes precisam aprender a viver sem o dinheiro das casas de apostas.

    No mesmo dia, o presidente havia se reunido com ministros para discutir o tema. No momento, há uma discussão interna no governo sobre o formato das possíveis medidas, entre a proibição total das casas de apostas e a restrição de determinados pontos, como publicidade e cassinos virtuais, incluindo o chamado “jogo do Tigrinho”.

    Em comunicado divulgado no contexto do debate, a 7K afirmou que assinou, ao lado de operadoras licenciadas, o manifesto da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). A empresa defendeu a manutenção de um mercado regulado, fiscalizado e tributado.

    Confira o comunicado na íntegra

    “PROIBIR NÃO É PROTEGER

    A 7K BET assina, ao lado das operadoras licenciadas do Brasil, o manifesto da ANJL e do IBJR.

    Compartilhamos a preocupação com o endividamento das famílias e com o jogo problemático. Por isso, defendemos e contribuímos para um mercado regulado, fiscalizado e tributado, com mecanismos de proteção ao apostador. E precisamos dizer com clareza: a proibição não acaba com as apostas no Brasil, mas com a proteção de quem aposta.

    Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, 31 milhões de brasileiros apostam. Essas apostas não deixarão de ser feitas com uma medida provisória; apenas mudarão de endereço para ambientes sem controle, que aceitam menores de idade e cartões de crédito. No atual mercado autorizado, as plataformas verificam idade e CPF, adotam políticas de saúde mental, mecanismos de autoexclusão e recolhem impostos destinados a políticas públicas.

    O mercado legal hoje impede que 3 milhões de beneficiários de programas sociais apostem e já atendeu 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão. Nenhum site ilegal faz isso.

    Desde 2025, o governo bloqueou mais de 66 mil domínios ilegais. Mesmo assim, em uma única semana de setembro, 6.409 sites seguiam no ar, com 14 novos por dia. O mercado clandestino já responde por 41% das apostas no país. Com a proibição, um estudo técnico da ANJL aponta que esse número pode saltar para 80%. O Brasil deixaria de arrecadar entre R$ 3,6 e R$ 7,4 bilhões por ano.

    Bloquear sites funciona como complemento a um mercado legal, nunca como substituto. A proibição não elimina a demanda. Elimina o único lado do mercado que responde à lei brasileira.

    Se o objetivo é proteger o cidadão, o caminho é mais fiscalização, não menos. O Brasil já tem um dos marcos regulatórios mais modernos do mundo para o setor. Estamos prontos para discutir limites de depósito e de tempo, regras mais rígidas de publicidade, medidas de prevenção e cuidado em saúde mental, e o endurecimento do combate aos sites ilegais. Nada disso pode ser exigido de quem opera na clandestinidade.

    Proibir não protege o apostador. Apenas o empurra para ambientes sem fiscalização.”