Chico Buarque aciona polícia após receber ameaça de morte na internet

    Defesa do cantor pediu abertura de inquérito após comentário publicado em notícia sobre posicionamento político do artista

    Foto: Reprodução / Redes Sociais

    Aos 82 anos, o cantor e compositor Chico Buarque acionou a Polícia Civil do Rio de Janeiro após ser alvo de uma ameaça de morte na internet. Segundo informações divulgadas inicialmente pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, o comentário foi publicado em uma notícia da Folha de S.Paulo.

    O internauta escreveu que “adoraria abreviar a vida” do artista. A defesa de Chico, representada pelos advogados Maíra Fernandes e João Vicente Tinoco, apresentou uma notícia-crime à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e pediu a abertura de um inquérito para apurar a autoria da mensagem e eventual responsabilidade criminal.

    A publicação em questão tratava do apoio de Chico a candidaturas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A Folha retirou o comentário do ar após considerar que o conteúdo violava as regras de participação do site. Segundo reportagens sobre o caso, o autor foi identificado como um médico com registro ativo no Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais.

    “Um indivíduo valeu-se de espaço público para comentários de um dos jornais de maior circulação do país para declarar que ‘adoraria abreviar a vida’ de um homem de 82 anos, em razão de suas posições políticas”, afirmou o advogado João Vicente Tinoco.

    Chico tem histórico de posicionamento político

    A relação de Chico Buarque com temas políticos atravessa boa parte de sua carreira. Durante a ditadura militar brasileira, o compositor teve trabalhos submetidos à censura e passou a ser associado à produção artística de resistência ao regime.

    “Roda Viva”, composta em 1967, tornou-se uma das obras mais relacionadas a esse período. A canção foi amplamente interpretada como uma crítica ao autoritarismo, enquanto a peça de mesmo nome, escrita por Chico e encenada em 1968, sofreu ataques e repressão durante a ditadura.

    Outro exemplo foi “Calabar”, peça escrita por Chico Buarque e Ruy Guerra, proibida pela censura em 1973 e liberada apenas anos depois, tornando-se um dos símbolos da interferência do regime militar na produção cultural brasileira.

    Nas décadas seguintes, Chico manteve manifestações públicas ligadas à esquerda e apoio a diferentes candidaturas e movimentos políticos. Mais recentemente, também voltou a se posicionar publicamente durante o período eleitoral de 2026.

    A defesa agora aguarda o andamento da apuração pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Até o momento, não há indicação pública de que a ameaça tenha avançado além do comentário publicado na internet.